A massa falida da MMX, mineradora fundada pelo empresário Eike Batista, teve parte de seus ativos vendidos em leilão judicial realizado no Rio de Janeiro. Sem a presença de outros interessados, o fundo de investimento em infraestrutura Planck arrematou o lote pelo valor mínimo estabelecido pela Justiça.
O montante total da operação chegou a R$ 66,3 milhões. O valor inclui o lance mínimo de R$ 60 milhões, além de R$ 3 milhões em despesas processuais e cerca de R$ 3,3 milhões referentes à atualização do valor pela inflação.
O leilão foi conduzido pelo juiz Arthur Eduardo Magalhães Ferreira, responsável pela 3ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, em sessão realizada na sede do tribunal, no Centro da capital fluminense.
Leilão envolve participação no Porto do Sudeste
Entre os ativos vendidos estão participações ligadas ao Porto do Sudeste, terminal portuário localizado na Baía de Sepetiba, no município de Itaguaí, na região metropolitana do estado.
O pacote inclui 9.519.226 debêntures conversíveis em ações do Porto do Sudeste, além de 6.336.766 ações ordinárias da empresa. Juntos, esses papéis foram avaliados em aproximadamente R$ 57,88 milhões pela consultoria financeira B23 Capital Assessores Financeiros.
O valor final do leilão considerou a correção inflacionária a partir de 1º de dezembro de 2024, data em que foi realizada a avaliação oficial dos ativos, até o dia da realização do certame.
Certame foi adiado após questionamentos jurídicos
Inicialmente previsto para ocorrer em meados de 2025, o leilão acabou sendo adiado após questionamentos apresentados pelo Ministério Público. Posteriormente, o caso também chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que analisou pontos do processo.
Após as avaliações e decisões judiciais, o procedimento foi mantido e o certame acabou sendo realizado neste início de 2026.
O processo utilizou o modelo conhecido como stalking horse offer. Nesse formato, há um proponente preferencial previamente definido, que tem direito de arrematar o ativo pelo valor mínimo estipulado pela Justiça caso não apareçam outras propostas.
Falência da MMX ocorreu após crise do grupo EBX
A falência da MMX foi decretada em 2021, após anos de dificuldades financeiras relacionadas ao colapso do antigo grupo EBX, conglomerado empresarial criado por Eike Batista.
O Porto do Sudeste havia sido planejado originalmente para escoar a produção de minério de ferro da MMX em Minas Gerais. Entretanto, quando a empresa entrou em recuperação judicial, em 2014, o terminal portuário foi vendido.
Na ocasião, o ativo passou a ser controlado pela empresa holandesa Trafigura e pelo fundo soberano Mubadala, de Abu Dhabi.
Eike tenta voltar ao mercado com novos projetos
Mesmo após condenações na Justiça e processos na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Eike Batista vem tentando retomar atividades empresariais com novos projetos.
Entre as iniciativas mais recentes está um plano voltado à produção de combustível verde, com etanol gerado a partir de uma variedade de cana-de-açúcar de alta produtividade, chamada de “supercana”.
Segundo o empresário, o insumo poderia ser utilizado tanto para produzir combustível sustentável de aviação (SAF) quanto para a fabricação de embalagens biodegradáveis. O projeto também prevê a captação de cerca de US$ 100 milhões por meio da venda de um criptoativo ligado ao empreendimento.






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