Depois de passar anos hostilizando o seu vizinho, que é o país mais armado do mundo, e de lutar para fazer parte da Otan e, assim, abrigar mísseis nucleares em sua fronteira apontados para a Rússia, o presidente da Ucrânia levou ontem um choque de realidade: ‘estamos sozinhos e nenhum país vai lutar conosco contra Putin’.
É claro que não! Quando muito, vão acentuar as sanções econômicas contra a Rússia. Lutar, não podem porque, afinal, a Otan, sonho de Zelensky, não tem a Ucrânia em seu seleto grupo de sócios.
Pelo menos no Brasil – mas certamente na maior parte do mundo ocidental – nenhum jornal, rede de TV ou jornalista que se preze vai dizer à sua audiência que é difícil saber onde Zelensky estava com a cabeça quando achou que poderia reprimir, perseguir e matar cidadãos russos ou de origem russa no território da Ucrânia e ainda oferecer seu país para instalar bombas atômicas apontadas para o povo russo sem que isto provocasse alguma reação.
Enquanto o exército da Ucrânia perseguiu russos nas províncias separatistas de Donetski e Loganks, Putin achou mais prudente negociar, até porque você pode discordar dele, e com razão, mas sabe que de burro ele não tem nada. Mas quando a Ucrânia passou a fazer qualquer negócio para entrar na Otan e, com isso, ameaçar diretamente a Rússia com armas nuclearres, a conversa só podia mudar. Ou melhor, deixou de ser conversa.
E deu no que deu.
Mas o povo que vive nos países ocidentais não vai ler ou ver em nenhum veículo de imprensa tradicional esta versão ds fatos, que certamente não é a única, e pode ser questionada, mas é honesto que seja conhecida. Os brasileiros não têm a menor chance de receber mais de uma versão da história. Ou por adulação aos patrões ou por pura ignorância da maioria dos jornalistas, conhecerão apenas a versão segundo a qual Putin é um Hitler redivivo. É mais ou menos o que gritam, irados e histéricos, os comentaristas que as tevês e os jornais oferecem, 24 horas por dia.
Se você até concorda com a notícia principal, e verdadeira, segundo a qual não há nada mais anacrônico ou absurdo que uma guerra na Europa em pleno século XXI, mas é curioso o suficiente para conhecer outras visões do mesmo assunto, vai ter que procurar agulha em palheiro e garimpar blogs independentes. Nem a verdadeira história está disponível na imprensa.
Como em toda a guerra, a primeira vítima é a verdade. A segunda é a imprensa ética e autônoma. No conflito sobre quem vai dominar a Ucrânia, hoje subordinada a um comediante desqualificado que o povo, enfim, quis colocar no poder (erros assim acontrecem em outros países), a verdade e o pluralismo jornalístico morreram entubados em menos de 24 horas.
A FALSA SURPRESA DE ZELENSKY
Acusando o Ocidente de deixar a Ucrânia para enfrentar Moscou sozinho, o presidente Volodymyr Zelensky disse na que não tem medo de negociar o fim da “invasão” russa, mas precisa de garantias de segurança para fazê-lo.
Falando nas primeiras horas da manhã de Kiev, Zelensky disse que procurou “parceiros” no Ocidente para lhes dizer que o destino da Ucrânia estava em jogo.
“Eu perguntei a eles – você está conosco?”, disse Zelenski. “Eles responderam que estão conosco, mas não querem nos levar para a aliança. Perguntei a 27 líderes da Europa, se a Ucrânia estará na OTAN, perguntei a eles diretamente – todos estão com medo e não responderam”.
A Rússia enviou tropas para a Ucrânia na quinta-feira, com o presidente Vladimir Putin declarando uma operação militar especial para “desmilitarizar e desnazificar” a Ucrânia. Desde então, Moscou disse a Kiev que consideraria negociar com o governo Zelensky se concordar em discutir o status neutro do país, entre outras coisas.
Em um discurso na sexta-feira, Zelensky disse que está aberto a falar sobre o potencial status neutro da Ucrânia, mas insistiu que seu país precisa de garantias de terceiros.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse na quinta-feira que “status neutro e rejeição de hospedar sistemas de armas [ofensivos]” são “linhas vermelhas” de Putin para a Ucrânia e que a bola estava agora no campo de Kiev.






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