O assassinato a tiros da jornalista e candidata ao governo regional de Áncash, Susy Aponte, durante um ato de campanha no Peru, repercutiu nesta semana na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). A deputada estadual Renata Souza (Psol), presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Casa, lamentou a morte e relacionou o episódio à discussão sobre feminicídio e violência política contra mulheres no Brasil.
Susy Aponte, de 44 anos, foi assassinada no último sábado (19), enquanto participava de uma atividade eleitoral em um mercado de Caraz. Cinco pessoas ficaram feridas. A Polícia Nacional do Peru informou ter detido um suspeito e aberto investigação para esclarecer o crime.
A jornalista era candidata ao governo de Áncash nas eleições regionais marcadas para 4 de outubro. Ela também mantinha o portal China Polo Dominical, no qual publicava denúncias sobre supostas irregularidades e casos de corrupção policial. Dias antes de ser morta, Aponte havia relatado ameaças contra sua vida.
Violência política contra mulheres
Em discurso na Alerj, Renata afirmou enxergar no assassinato um alerta que ultrapassa as fronteiras peruanas e fez uma analogia com casos de violência contra mulheres que ocupam espaços políticos e de defesa de direitos no Brasil.
“Que democracia é essa onde as mulheres colocadas na linha de frente da luta política estão sendo exterminadas? Que tipo de ação pode naturalizar a violência contra a mulher nesse nível de situação?”, questionou.
Renata afirmou ter desenvolvido o conceito de “feminicídio político” para analisar assassinatos de mulheres que atuam na política, em movimentos sociais e na defesa dos direitos humanos.
A expressão representa uma interpretação apresentada pela própria parlamentar e não a classificação oficial dada pelas autoridades peruanas ao assassinato de Aponte. Segundo informações publicadas nesta semana, a Promotoria peruana passou a investigar o caso como possível homicídio por encomenda.
“Eu não trato apenas das mulheres que estão dentro do Parlamento, eu também falo dessas mulheres que estão na linha de frente em movimentos sociais”, declarou Renata.
Marielle e Patrícia Acioli
Ao desenvolver o argumento, a deputada citou a vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018, e a juíza Patrícia Acioli, morta em 2011, como exemplos brasileiros que, na avaliação dela, se enquadram no conceito de “feminicídio político”.
“Foi por conta do feminicídio político de Marielle que cunhei esse conceito e trago para que a gente possa fazer reflexões neste país, que não terá uma democracia completa se as mulheres ainda forem desestimuladas diante de uma situação de extrema violência quando elas se colocam na linha de frente da luta política”, afirmou.
Renata também defendeu políticas públicas voltadas à proteção de mulheres que exercem atividades políticas, participam de movimentos sociais ou atuam na defesa dos direitos humanos.
Deputada pede investigação
Na mesma manifestação, Renata comentou sobre as mensagens envolvendo Robson Calixto, conhecido como Peixe, e uma assessora do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). As conversas tratavam da destinação de recursos de emendas parlamentares ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop), responsável pelo projeto Jogadores do Futuro. Calixto foi condenado pelo STF no processo relacionado ao assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes.
A parlamentar pediu que as relações envolvendo a destinação dos recursos sejam investigadas e esclarecidas. “A gente precisa que esse assunto, que esse tema seja esclarecido o quanto antes”, afirmou.
Para Renata, os episódios reforçam a necessidade de discutir mecanismos de proteção às mulheres expostas à violência em razão de sua atuação pública. “A gente não pode naturalizar de maneira alguma toda a situação de violência com as mulheres”, declarou







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