Às vésperas das eleições, Maduro prende opositor venezuelano na clandestinidade sob acusações de terrorismo

Líder da oposição denuncia “terrorismo de Estado” enquanto operação envolve dezenas de prisões

O dirigente opositor venezuelano Juan Pablo Guanipa foi preso nesta sexta-feira (23), acusado pelo governo de Nicolás Maduro de integrar uma suposta “rede terrorista” que planejava sabotar as eleições parlamentares e regionais marcadas para o próximo domingo na Venezuela. A informação é do portal O Globo.

Guanipa, de 60 anos, estava em clandestinidade desde julho de 2024, período em que intensificou sua atuação contra o regime. Ele é próximo da líder da oposição María Corina Machado, que o definiu publicamente como seu “irmão” e afirmou que a prisão representa um ato de “terrorismo de Estado”.

Em coletiva de imprensa, o ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, afirmou que Guanipa é “um dos chefes dessa rede terrorista”. Segundo ele, foram apreendidos quatro telefones celulares e um laptop, contendo “todo o plano” da suposta organização. Além das acusações de terrorismo, Guanipa responde por lavagem de dinheiro e incitação à violência e ao ódio.

“Daqui em diante, o que lhe resta é prestar contas à Justiça”, declarou Cabello, acrescentando que, até o momento, cerca de 70 pessoas foram detidas na operação, incluindo um grupo diversificado de estrangeiros — entre eles um equatoriano, um argentino, um sérvio, um alemão e alguns paquistaneses.

O ministro também detalhou o suposto plano, que teria financiamento do narcotráfico colombiano e envolvia ações violentas como a colocação de explosivos em hospitais, estações de metrô, delegacias e instalações elétricas. Armas, detonadores e dinheiro em espécie foram apreendidos durante as buscas. Em consequência dessas ameaças, o governo venezuelano anunciou a suspensão dos voos com a Colômbia até pelo menos a próxima segunda-feira, alegando que “mercenários” tentaram entrar no país por meio dessa rota.

Momentos após a prisão, uma mensagem foi divulgada na conta oficial de Guanipa na rede social X, antiga Twitter:
“Se estão lendo isso, é porque fui sequestrado pelas forças do regime de Nicolás Maduro. Não tenho certeza do que me acontecerá nas próximas horas, dias ou semanas. Mas do que tenho certeza é que venceremos a longa luta contra a ditadura.”

Juan Pablo Guanipa é advogado e tem um histórico de protagonismo na política venezuelana. Ele foi eleito governador do estado de Zulia em 2017, porém recusou-se a assumir o cargo devido à exigência de prestar juramento perante a Assembleia Constituinte, considerada ilegítima pela oposição. Também integrou o Parlamento venezuelano quando este ainda era controlado pela oposição e foi vice-presidente da Assembleia Nacional em 2020, durante o reconhecimento de Juan Guaidó como presidente interino por diversos países, como Estados Unidos e Colômbia.

María Corina Machado, líder histórica da oposição, manifestou-se nas redes sociais sobre a detenção de Guanipa:
“Isso é terrorismo de Estado, puro e simples. Guanipa é um homem corajoso e íntegro. É meu companheiro e irmão.”

Na última aparição pública, em 9 de janeiro, Guanipa participou de protestos contra a posse de Nicolás Maduro para um terceiro mandato, considerado uma “fraude” pela oposição e parte da comunidade internacional.

A detenção do opositor ocorre em um momento delicado para a Venezuela, às vésperas das eleições que definirão governadores e deputados regionais, em um cenário marcado por acusações mútuas entre governo e oposição sobre a legitimidade do processo eleitoral.

Na mensagem publicada, Guanipa reforça seu posicionamento:
“Hoje estou injustamente preso, mas nunca derrotado. Só lhes resta o medo. Eles se escudam na brutalidade e na crueldade para se manterem no poder.”

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