Opositor que Maduro derrotou nas urnas diz que vai à Venezuela tomar posse em 10 de janeiro

Edmundo González contestou o resultado das eleições sem provas e parece declarar abertamente que poderia tentar um golpe de Estado – mas não diz como

O líder da extrema direita venezuelana, Edmundo González, declarou neste sábado (4) que pretende viajar para a Venezuela e tomar posse como presidente na próxima semana, alegando ter recebido a maioria dos votos nas eleições presidenciais realizadas em julho de 2024.

Falando de Buenos Aires, após um encontro com o presidente argentino Javier Milei — que também é de extrema direita — González reafirmou sua intenção de assumir o mandato que alega ter recebido de 7 milhões de venezuelanos. “Minha intenção é ir à Venezuela simplesmente para tomar posse do mandato que os venezuelanos me deram”, afirmou à imprensa.

A oposição ao governo de Nicolás Maduro tem dito que as eleições foram fraudadas e que González venceu o atual mandatário; entretanto, não apresentou provas e o resultado foi chancelado pelo órgão eleitoral venezuelano.

A data da posse, conforme estipulado pela Constituição do país, está marcada para 10 de janeiro, quando ocorrerá a mudança oficial de governo. González foi o principal adversário do presidente Nicolás Maduro nas eleições presidenciais de 28 de julho do ano passado.

Entrada na Venezuela sob sigilo

González, ex-embaixador de 75 anos, exilou-se na Espanha em setembro de 2024, após um mandado de detenção emitido por um juiz venezuelano. Ele é acusado de “usurpação de cargo, falsificação de documentos e ligações com financiadores do terrorismo”, segundo documento emitido pelo Ministério Público de Caracas. Questionado sobre como pretende entrar no país, ele optou por não divulgar detalhes, alegando que “as circunstâncias hoje são muito complicadas”.

Na última quinta-feira, o governo de Maduro anunciou uma recompensa de 100 mil dólares por informações que levem à captura do líder de extrema direita, que contestou a idoneidade das eleições venezualanas sem provas e agora declara que vai tomar posse no lugar do candidato oficialmente eleito.

Encontro com Javier Milei e apoiadores em Buenos Aires

Na manhã de sábado (4), González teve uma reunião privada com o presidente da Argentina, Javier Milei, na Casa Rosada. Durante o encontro, discutiram as estratégias econômicas neoliberais implementadas por Milei na Argentina e a possibilidade de adaptá-las à realidade venezuelana.

Após a reunião, ambos apareceram na varanda do palácio presidencial para cumprimentar uma multidão de venezuelanos reunida na Praça de Maio. González expressou gratidão pela receptividade e o apoio recebido. “Hoje, mais do que nunca, me sinto mais próximo de cumprir o mandato que os venezuelanos nos deram nas eleições de julho passado”, insistiu.

Próximas etapas da viagem

Edmundo González iniciou uma viagem pelo continente americano para angariar apoio político internacional a seu projeto de derrubar Nicolás Maduro e encampar a extrema direita na presidência da Venezuela. Na noite de sábado (4), ele seguiu para Montevidéu, onde deve se encontrar com o presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou. Posteriormente, viajará para os Estados Unidos, onde há encontros previstos com o presidente Joe Biden e líderes do Congresso estadunidense.

Questionado sobre um possível encontro com o ex-presidente e agora presidente eleito Donald Trump, González afirmou que as tratativas ainda não foram concluídas.

Com informações do g1.

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