Opositor de Maduro se reúne com Milei em meio a tensões diplomáticas entre Venezuela e Argentina

Viagem marca início da “turnê latino-americana” de González Urrutia; ex-diplomata deverá visitar autoridades do Uruguai na sequência

O líder da extrema direita venezuelana, Edmundo González Urrutia, reuniu-se neste sábado (4) com o presidente argentino Javier Milei na Casa Rosada, em Buenos Aires. González, que contesta o resultado das eleições presidenciais de julho de 2024, vencidas por Nicolás Maduro, anunciou sua determinação de assumir a presidência da Venezuela em 10 de janeiro.

Diplomata de 75 anos, exilado em Madri desde setembro, González foi recebido por Milei e autoridades argentinas, incluindo Karina Milei e o ministro das Relações Exteriores, Gerardo Werthein. Da sacada da Casa Rosada, o opositor saudou manifestantes que empunhavam bandeiras e cartazes com mensagens como “Venezuela, você não está sozinha” e cantavam palavras de ordem pedindo liberdade.

“Foi um dos momentos mais emocionantes que já vivi. Venezuelanos, nos encontraremos nas ruas de nosso amado país”, declarou González em sua conta no X, junto a imagens das manifestações.

Contexto e Repercussão

O encontro acontece em meio a tensões diplomáticas entre Argentina e Venezuela, agravadas pela prisão do gendarme argentino Nahuel Gallo na Venezuela, acusado de terrorismo. A Casa Rosada denunciou o caso ao Tribunal Penal Internacional (TPI) e à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

Além disso, desde março, a embaixada argentina em Caracas abriga cinco colaboradores da líder opositora María Corina Machado, também acusados de terrorismo. A questão dos solicitantes de asilo foi tema central na reunião entre González e Milei, conforme indicado pelo opositor em vídeo publicado horas antes do encontro.

Eleições e Acusações de Fraude

González foi candidato único da oposição após a inabilitação de María Corina Machado. Ele pediu asilo na Espanha após ser acusado pelo Ministério Público venezuelano de conspiração e associação criminosa.

Embora as autoridades eleitorais tenham declarado Maduro vencedor, a oposição denuncia fraude, alegando que González obteve 67% dos votos com base em registros publicados em um site independente.

Próximos Passos

Após sua visita à Argentina, González seguirá para o Uruguai, onde se reunirá com o presidente Luis Lacalle Pou e outras autoridades. Ele também planeja visitar o Panamá e a República Dominicana nos próximos dias para fortalecer alianças regionais contra o regime de Maduro.

Enquanto isso, o governo venezuelano mantém uma recompensa de US$ 100 mil por informações que levem à captura de González, acusado de fomentar desestabilização no país. Com o pleito chancelado pelo órgão eleitoral oficial da Venezuela, Maduro prepara-se para iniciar um novo mandato com o apoio declarado das Forças Armadas de seu país.

Com informações de O GLOBO.

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