O presidente da Fifa, Gianni Infantino, criticou o que chamou de “hipocrisia” dos críticos ocidentais ao histórico de direitos humanos do Catar, em entrevista coletiva realizada hoje. Às vésperas do início oficial do torneio, o suíço fez uma defesa apaixonada da Copa do Mundo no país do Golfo Pérsico.
Segundo informações do Globo online, ao longo dos meses de preparação para o mundial, a preocupação com o tratamento dos anfitriões aos trabalhadores imigrantes, às mulheres e a integrantes da comunidade LGBTQIA+ foi pauta constante entre as seleções participantes, para visível aborrecimento dos organizadores.
Autoridades do Catar chegaram a dizer que o país tem sido alvo de “racismo” e “dois pesos e duas medidas”, além de pontarem reformas nas condições de trabalho e segurança que foram consideradas inovadoras na região.
O futebol, por sua vez, voltou a ficar em segundo plano neste sábado, com o foco voltado para a política fora do campo apenas 24 horas antes de os jogadores do Catar fazerem sua estreia contra o Equador, em partida válida pelo grupo A, às 13h de amanhã.
Em meio a este cenário, Infantino rebateu os comentários dos críticos diante da realização do torneio em território árabe.
— Esta lição de moral unilateral é apenas hipocrisia. Não quero dar nenhuma lição de vida, mas o que está acontecendo aqui é profundamente injusto. Pelo que nós, europeus, temos feito nos últimos 3 mil anos, devemos nos desculpar pelos próximos 3 mil anos antes de começar a dar lições de moral às pessoas — afirmou aos jornalistas.
Infantino também expressou apoio a grupos minoritários, em especial aos que enfrentam restrições ou algum tipo de dificuldade no país que vai sediar a Copa.
— Hoje me sinto catariano, hoje me sinto árabe, hoje me sinto africano, hoje me sinto gay, hoje me sinto deficiente, hoje me sinto um trabalhador migrante — afirmou.
Questionado a respeito da polêmica sobre venda de cerveja nos estádios, que tomou conta das redes nos últimos dias, o presidente fez pouco caso da mudança tardia nas regras de consumo de bebida alcoólica por parte dos organizadores.
— Pessoalmente, acho que, se você não puder beber uma cerveja por três horas por dia, sobreviverá. O mesmo se aplica na França, Espanha e Escócia.






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