Às 19h57m, o torneiro mecânico que se tornou o maior líder popular do Brasil foi declarado presidente pela terceira vez

Vinte anos depois de sua primeira eleição, e doze de encerrar seu segundo mandato, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi eleito neste domingo o presidente do Brasil. Com 50,83% dos votos válidos, em 98,81% das urnas apuradas às 19h57 deste domingo, o ex-torneiro mecânico, de 77 anos, que há duas décadas se tornou o…

Vinte anos depois de sua primeira eleição, e doze de encerrar seu segundo mandato, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi eleito neste domingo o presidente do Brasil. Com 50,83% dos votos válidos, em 98,81% das urnas apuradas às 19h57 deste domingo, o ex-torneiro mecânico, de 77 anos, que há duas décadas se tornou o primeiro operário a governar o país, confirmou sua volta ao Palácio do Planalto em 2023, em um novo capítulo de uma trajetória singular na política brasileira.

A reportagem é do Globo online.

A vitória de Lula sobre Jair Bolsonaro (PL) em uma das mais acirradas disputas pelo Palácio do Planalto ganha contornos históricos ao dar uma nova chance ao Partido dos Trabalhadores e à biografia do próprio eleito, que completa hoje um ciclo de reabilitação política e de reinvenção pessoal.

Depois de deixar a Presidência, em 2010, com 87% de aprovação (2010), o petista viu sua sucessora, Dilma Rousseff (PT), sofrer um processo de impeachment (2016); ficou preso por 580 dias; teve as condenações anuladas por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF); e, 1.087 dias depois de deixar a carceragem da Polícia Federal em Curitiba, torna-se o primeiro brasileiro da História a ser eleito três vezes para o principal cargo do Executivo.

No momento da confirmação, neste domingo, o petista já ultrapassava a barreira de 59 milhões de votos — superando os 46,6 milhões (48,6%), de 2006, sua melhor marca nesta fase das eleições até então. O petista também impôs a Bolsonaro a inédita derrota de um presidente que concorria à reeleição no cargo. O atual ocupante do Planalto não conseguiu superar a alta rejeição (sempre em torno de 50% ao longo da campanha)

A conquista do fundador e principal líder do PT vem após uma campanha que gerou expectativas frustradas de se resolver já no primeiro turno. A disputa se acirrou com um crescimento surpreendente de Bolsonaro às vésperas da primeira rodada, no dia 2 de outubro. Impulsionado pela injeção de bilhões de reais na economia com medidas como o aumento do Auxílio Brasil, o Auxílio Gás e a antecipação do 13o dos aposentados, o atual presidente chegou ao segundo turno com fôlego para encostar no petista. Mas não foi suficiente.

O uso da máquina e as estratégias de campanha do candidato do PL, como o apelo religioso e o discurso anticorrupção para potencializar o antipetismo, não foram suficientes para superar o favoritismo de Lula. Ao longo do último mês, a diferença entre os dois se manteve estável no patamar de seis a oito pontos a favor do ex-presidente, de acordo com as pesquisas do Ipec.

Foi a sexta vez que Lula concorreu à Presidência, igualando agora o número de triunfos e derrotas. Em 1989, na primeira eleição direta após a redemocratização, o ex-metalúrgico foi derrotado por Fernando Collor (PRN) no segundo turno por uma diferença de pouco mais de 4 milhões de votos (53% a 47%).

Nos dois pleitos seguintes — primeiro com Aloizio Mercadante (hoje seu coordenador de plano de governo) e depois com Leonel Brizola (PDT) como vice —, foi superado por Fernando Henrique em primeiro turno.

A primeira vitória veio em 2002, superando José Serra (PSDB), seguida de reeleição contra o então tucano Geraldo Alckmin. A partir de 1º de janeiro de 2023, Lula assume o terceiro mandato com o desafio de reestruturar uma economia, com inflação alta e o desafio de reequilibrar contas públicas sem abrir mão de benefícios sociais. Embora possa concorrer à reeleição em 2024, o petista já indicou que não pretende buscar o quarto mandato, o que pode ser um aceno para a chamada terceira via.

Para chegar ao terceiro êxito nas urnas, Lula apostou em explorar o legado social e econômico de seus dois mandatos (2003-2010) e buscou ampliar o arco de alianças em direção ao centro. O primeiro passo foi escalar o ex-governador Geraldo Alckmin (PSB) como seu vice. Nas últimas semanas, foi construindo um cenário favorável a mais adesões, como declarações de apoio de políticos de centro, de economistas de visão liberal e do empresariado – muitos crítico da gestão petista.

Um dos nomes considerados cruciais pelos petistas para a vitória no segundo turno foi o da senadora Simone Tebet (MDB). Após ficar em terceiro lugar na disputa presidencial, ela mergulhou de cabeça na campanha de Lula no segundo turno, participando de passeatas, comícios e eventos eleitorais ao lado do ex-presidente.

Ainda no campo político, o petista conseguiu o apoio — – “envergonhado” — de Ciro Gomes (PDT), que acompanhou a decisão de seu partido de defender o voto no postulante do PT. No segundo turno, Lula conseguiu ainda a declaração de voto deu seu histórico adversário tucano, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), consolidando o caráter de frente ampla que buscou para sua candidatura.

A conquista das mulheres e dos mais pobres

Ao longo da campanha, segundo a série de pesquisas do Ipec, o candidato do PT manteve vantagem no estado que tem a mística de espelhar o resultado nacional: Minas Gerais. Desde a redemocratização, nunca um presidente foi eleito sem ganhar em Minas.

Apesar do cenário desaforável nos outros principais colégios eleitorais do Sudeste, São Paulo e Rio de Janeiro, e nos estados do Sul, Lula manteve ampla maioria no Nordeste, onde historicamente vai bem.

O petista também sustentou bom desempenho entre as mulheres — estrato em que a alta rejeição de Bolsonaro foi agravada por atitudes e declarações machistas do próprio candidato do PL —, e entre os eleitores com renda familiar de até 2 salários mínimos, mais atingidos pelo desemprego e pela inflação. A promessa de retomar aumentos reais do piso salarial foi uma de suas principais bandeiras.

Lula também conseguiu a confiança da maior parte do eleitorado que recebe benefícios do governo federal, no qual Bolsonaro buscou maior adesão com a ampliação do cadastro e o aumento do Auxílio Brasil para R$ 600 driblando regras fiscais e eleitorais com a ajuda do Congresso.

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