Quando arrogância e malandragem encontram incompetência e negacionismo, o resultado é um vexame internacional como o de Brasil x Argentina

Uma mistura explosiva que não podia mesmo dar certo resultou ontem, no estádio do Corinthians, num vexame de dimensões globais: a interrupção de um jogo das eliminatórias da Copa do Mundo entre Brasil e Argentina. Uniram-se para tal bagunça a arrogância e malandragem do futebol argentino, a incompetência da CBF e do governo brasileiro, a…

Uma mistura explosiva que não podia mesmo dar certo resultou ontem, no estádio do Corinthians, num vexame de dimensões globais: a interrupção de um jogo das eliminatórias da Copa do Mundo entre Brasil e Argentina. Uniram-se para tal bagunça a arrogância e malandragem do futebol argentino, a incompetência da CBF e do governo brasileiro, a irresponsabilidade da Conmebol e a omissão da Fifa. Todos erraram, todos desrespeitaram o torcedor e todos causaram danos às suas próprias imagens. E deram início a uma novela de mentiras e dissimulações que está longe de acabar.

Num país em que o próprio presidente da República desrespeita normas sanitárias e atua contra o uso de máscaras ou medidas de proteção contra a Covid19, sem que se conheça qualquer atitude da Anvisa contra este comportamento, não se pode estranhar que a Argentina tenha entendido que não seria nada demais mentir e esconder o fato de que quatro de seus jogadores passaram pela Inglaterra, o que os desqualificaria para o jogo de ontem, como aconteceu, por sinal, com vários jogadores brasileiros, que por causa disso foram cortados da seleção.

O que aconteceu foi uma sucessão de erros e artimanhas ou um encontro da velha malandragem do futebol argentino com a notória incompetência e negacionismo do governo brasileiro.Os dirigentes do futebol argentino alegam, inclusive, que a presença no jogo dos atletas que deviam ter ficado em quarentena foi autorizada por um acordo entre e AFA, a CBF e o governo brasileiro. Especula-se, sem confimação, que o próprio Bolsonaro teria estimulado este acordo.

A Anvisa confirma o encontro e o acordo, mas alega que, não tendo sido cumpridas as exigências feitas à Argentina para que atletas pudessem jogar, foi obrigada a impedir que o jogo continuasse. Isto porque a Polícia federal, acionada para agir, não agiu, e permitiu que os atletas entrassem em campo.

Segundo o portal G1, os quatro jogadores argentinos que descumpriram a quarentena contra a disseminação do coronavírus não serão investigados após infringirem a lei sanitária brasileira. Eles foram notificados a deixar o Brasil na noite de domingo (5) e, segundo a Polícia Federal, não foram deportados.

Os jogadores já deixaram o Brasil e embarcaram para a Argentina.

Os argentinos foram ouvidos por policiais federais no pavilhão de autoridades, na área interna do Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos. Não houve depoimento formal, apenas foram ouvidos sem serem averiguados.

Chegou-se a aventar que eles poderiam ser investigados por falsidade ideológica, já que Emiliano Martínez, Buendía, Cristian Romero e Giovani Lo Celso, os quatro jogadores da seleção da Argentina, fizeram declarações sanitárias falsas no formulário ao entrar no Brasil, segundo a Anvisa.

A Agência divulgou nova nota, após a suspensão do jogo entre as seleções de futebol da Argentina e do Brasil, e afirmou que cumpriu as leis sanitárias brasileiras e tentou barrar a ida dos quatro jogadores ao estádio.

Mais cedo, agentes da Polícia Federal e da Anvisa entraram no campo da Neo Química Arena, para retirar os quatro jogadores da Argentina. Depois, a Conmebol suspendeu o jogo pelas eliminatórias da Copa do Mundo, organizadas pela Fifa.

A Anvisa explica que tentou estabelecer a quarentena desses quatro jogadores desde sábado (4).

O documento oficial da Anvisa sobre a sobre o episódio, divulgado pelo repórter Octávio Gueses, no G1, diz que um membro da delegação argentina, Fernando Ariel Batista, falsificou informações de quatro jogadores argentinos. Eles tinham passado pelo Reino Unido, o que exigiria cumprimento de quarentena no Brasil, mas não há essa informação nas declarações sanitárias preenchidas por Batista.

O documento da agência brasileira aponta seis pontos sobre o caso:

A investigação começou com o que a agência classifica de rumor. Diz a agência que o “rumor” foi comunicado à Coordenação de Vigilância Epidemiológica de Portos, Aeroportos e Fronteiras na sexta-feira (3). Dá conta que quatro atletas, cujo nomes não eram identificados, entraram no Brasil sem cumprir as restrições sanitárias.

Confirmado o rumor, a agência aponta o nome do responsável pela falsificação. “Informamos ainda que todas as declarações foram preenchidas por uma única pessoa – senhor Fernando Ariel Batista, da AFA.

A Anvisa entrou em contato com as autoridades sanitárias do estado de São Paulo. Depois disso, a CBF foi informada do problema. “Às 10 horas do dia 4 de setembro (sábado), a equipe da vigilância epidemiológica e a Coordenadoria de Controle de Doenças do Estado de São Paulo reuniram-se com a equipe da CBF para informar o ocorrido e realizar a devida articulação com os responsáveis pela partida, a Conmebol.”

Ainda de acordo com a Anvisa, a CBF repassou a informação à Confederação Sulamericana de Futebol (Conmebol) e à delegação argentina. “O chefe de equipe da seleção argentina, assim como membros da Conmebol e CBF foram notificados sobre a ocorrência, tendo recebido a orientação de que os 4 jogares em questão deveriam permanecer nos seus referidos quartos, não podendo participar do treino na Arena Neo Química, previsto para as 18h30 de sábado.”

Sem solução para o problema, a vigilância em saúde do estado de São Paulo solicitou reunião para as 17h de sábado. Não foi por falta de aviso. Nesta reunião, representantes da Conmebol, CBF e Delegação da Argentina participaram como ouvintes. Estavam presentes ainda autoridades, a equipe técnica do Ministério da Saúde, o Ministro da Saúde em exercício, além da equipe técnica da Vigilância Epidemiológica e Sanitária e a Coordenadora de Controle de Doenças da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo.

Na reunião, a Conmebol e a delegação da Argentina foram orientadas a formalizar o pedido de excepcionalidade para que os jogadores pudessem treinar no sábado e jogar no domingo. A Anvisa pediu a máxima urgência pra o argentinos, para que a análise da documentação fosse viável antes da realização do jogo. E deu o caminho das pedras: o pedido teria que ser analisado pelo Ministério da Saúde, além de um posicionamento final da Casa Civil. Mas esse pedido não foi feito.

“Desde a tarde deste sábado (4/9), a Anvisa, em reunião ocorrida com a participação de representantes da CONMEBOL, CBF e da delegação argentina recomendou a quarentena dos quatro jogadores argentinos, ante a confirmação de que os jogadores prestaram informações falsas e descumpriram, inequivocamente, a Portaria Interministerial nº 655, de 2021, a qual estabelece que viajantes estrangeiros que tenham passagem, nos últimos 14 dias, pelo Reino Unido, África do Sul, Irlanda do Norte e Índia, estão impedidos de ingressar no Brasil”, diz a nota.

Depois, neste domingo pela manhã, a Anvisa acionou a Polícia Federal “a fim de que as providências no âmbito da autoridade policial fossem adotadas de imediato”.

A Agência disse ainda que teve uma reunião com as autoridades envolvidas e voltou a determinar a quarentena neste momento.

A Polícia Federal tentou buscar os jogadores no hotel e, depois, no vestiário, mas a Argentina não liberou a entrada e, por isso, afirmam que tiveram que entrar no campo.

Não há qualquer explicação sobre motivo pelo qual, já acionada para agir, a Polícia Federal não impediu os quatro jogadores de sair do hotel, primeiro, ou de deixar o vestiário para entrar em campo, na hora do jogo. Não teria sido difícil tomar esta providência, seu dever funcional óbvio.

O Ministério da Saúde afirmou “que apoia e reconhece as recomendações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), autoridade em saúde responsável pelas ações de vigilância sanitária do país”.

Segundo o GE,um acortdo entre govermo federal, CBF e Comnmebol pertimiu que os quatro jogadores participassem do jogo e, por isto, eles entraram em campo.

Esses quatro argentinos jogam em clubes ingleses (Emiliano Martínez no Aston Villa, e Cristian Romero e Lo Celso, no Tottenham). Viajantes que estiveram no Reino Unido, África do Sul, Irlanda do Norte e Índia precisam fazer quarentena de 14 dias antes de entrar no Brasil.

Fontes do blog da Ana Flor disseram, no entanto, que os quatro jogadores entrariam em campo porque tinham obtido autorização do governo brasileiro, o que confirma a informação não oficial de que o presidente Bolsonaro teria interedido para que a partricipação deles fosss permitida.

REPERCUSSÃO

A paralisação de Brasil x Argentina foi destaque na imprensa europeia. Jornais classificaram o episódio deste domingo na Neo Química Arena como “escândalo” e “constrangimento”.

“Um escândalo sanitário suspende Brasil x Argentina”, resumiu o jornal espanhol ‘As’. Ainda na Espanha, o ‘Marca’ destacou uma linha do tempo dos fatos em Itaquera, classificados como “constrangimento”.

Na França, o jornal ‘L’Équipe’ disse que o encontro entre Neymar e Messi se “transformou em um baile de máscaras”

“Seria um belo encontro, um cartaz de destaque, a primeira partida entre Lionel Messi e Neymar desde que vestem a camisa do PSG juntos. E então o topo das Eliminatórias sul-americanas entre Brasil e Argentina desinflou repentinamente, após alguns minutos, para se transformar em um baile de máscaras”, relatou.

Jornais da Itália e Alemanha também destacaram o episódio deste domingo. “Caos nas Eliminatórias”, destacou o alemão ‘Bild’. “Incrível (…) algo nunca visto antes acontece: a polícia brasileira invade o campo para tirar três jogadores que deveriam estar em quarentena”, escreveu o italiano La Gazzetta dello Sport.

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