Arraiá do Caio Martins vira caso de polícia após interdição; vereador dá ordem de prisão a subsecretário

Prefeitura de Niterói reafirma que evento não tinha autorização para ocorrer no complexo esportivo, interditado desde 2023 por problemas estruturais apontados em sucessivas vistorias técnicas

O que era para ser uma noite de festa junina terminou em polêmica, tensão e questionamentos sobre segurança pública em Niterói. O Arraiá do Caio Martins, programado para acontecer no complexo esportivo, em Icaraí, precisou ser interrompido após órgãos municipais reforçarem que o local não possuía autorização para receber o evento devido a riscos estruturais já identificados anteriormente.

A situação ganhou contornos políticos quando o vereador Douglas Gomes (PL) contestou a ação de fiscalização realizada pela Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop). Durante a operação, o subsecretário de Ordem Pública, David Ricardo Gonçalves Costa, que é major da Polícia Militar, acompanhou agentes responsáveis por impedir a continuidade do evento. Em meio ao impasse, o parlamentar chegou a anunciar voz de prisão ao subsecretário, elevando o clima de tensão no local.

Prefeitura reafirma interdição do estádio

Em nota oficial divulgada na quinta-feira (11), a Prefeitura de Niterói informou que o Arraiá do Caio Martins não possuía autorização para ser realizado porque a área do campo permanece interditada pela Defesa Civil desde agosto de 2023. Segundo o município, diversas vistorias técnicas realizadas ao longo dos últimos anos identificaram riscos estruturais tanto no estádio quanto em seu entorno.

De acordo com a prefeitura, uma nova inspeção realizada na manhã de quinta-feira constatou a montagem de estruturas para a festa, mas não verificou qualquer intervenção destinada a corrigir os problemas apontados anteriormente. Com isso, o cenário de risco associado às arquibancadas e às áreas adjacentes permaneceu inalterado.

A Defesa Civil reiterou a validade do Auto de Interdição nº 3423, emitido em 30 de agosto de 2023, e informou que não reconhece condições de segurança para a realização de eventos com grande concentração de público no local. O órgão também destacou a necessidade de execução das medidas estruturais já recomendadas para restabelecer a segurança do estádio e de seu entorno.

Laudo aponta riscos sem correção

Segundo os relatórios técnicos mencionados pela prefeitura, o Complexo Esportivo Caio Martins já foi alvo de diversas avaliações que identificaram problemas estruturais. Durante a vistoria mais recente, os agentes concluíram que as falhas observadas em inspeções anteriores continuam sem correção, o que pode representar riscos tanto para frequentadores quanto para trabalhadores envolvidos na montagem e operação de eventos.

A administração municipal sustenta que a decisão de impedir a realização da festa teve como base exclusivamente critérios técnicos de segurança. Em publicação nas redes sociais, a prefeitura reforçou que a interdição foi determinada após laudos especializados e que “segurança não é opinião”, destacando que a medida busca preservar a integridade física da população.

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