STF pede que PGR se manifeste sobre pedido para transferir Vorcaro da carceragem da PF

Polícia Federal pede remoção do banqueiro da Superintendência em Brasília após quase três meses de permanência e rejeita nova proposta de delação

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça encaminhou à Procuradoria-Geral da República (PGR) o pedido da Polícia Federal para transferir o banqueiro Daniel Vorcaro da carceragem da Superintendência da PF, em Brasília. Relator das investigações relacionadas ao caso Banco Master na Suprema Corte, Mendonça decidiu ouvir previamente o Ministério Público antes de tomar uma decisão sobre a eventual remoção do empresário.

A manifestação da PGR será determinante para que o ministro avalie se mantém Vorcaro nas dependências da Polícia Federal ou se autoriza sua transferência para outra unidade do sistema prisional.

O pedido da corporação ocorre em meio ao avanço das investigações e após quase três meses de permanência do banqueiro na carceragem da PF na capital federal.

PF quer encerrar permanência na superintendência

Nos bastidores, a avaliação da Polícia Federal é que a permanência prolongada de Daniel Vorcaro na Superintendência de Brasília deixou de ser compatível com a finalidade da estrutura.

Tradicionalmente, as celas da unidade são utilizadas para a custódia temporária de presos antes da transferência para estabelecimentos prisionais estaduais ou federais adequados ao cumprimento de medidas cautelares ou penas.

Segundo integrantes da corporação, a permanência do banqueiro no local por período prolongado tem provocado impactos na rotina operacional da superintendência.

Além da ocupação contínua da cela especial, a presença de Vorcaro gerou intenso fluxo de visitantes, incluindo advogados e familiares, que passaram a frequentar regularmente as instalações da Polícia Federal.

A avaliação interna é de que a situação se tornou excepcional e exige uma definição sobre o local onde o banqueiro deverá permanecer enquanto responde às investigações.

Nova tentativa de delação foi rejeitada

O pedido de transferência acontece paralelamente a outro movimento importante no caso: a rejeição, pela Polícia Federal, da segunda proposta de colaboração premiada apresentada pela defesa de Daniel Vorcaro.

De acordo com investigadores envolvidos nas apurações, o material entregue pelos advogados não apresentou informações consideradas novas em relação ao que já foi identificado durante a investigação.

A avaliação da PF é que a proposta não trouxe elementos capazes de ampliar substancialmente o conhecimento dos fatos nem apresentou provas concretas que justificassem a celebração de um acordo de colaboração.

Fontes ligadas às investigações afirmam que um dos principais obstáculos para o avanço das negociações é justamente a ausência de informações inéditas e de documentos comprobatórios que possam agregar valor às apurações em andamento.

Celulares apreendidos ganham protagonismo

A posição da Polícia Federal também está relacionada ao material já reunido pela investigação.

Os agentes têm sob análise oito aparelhos celulares pertencentes a Daniel Vorcaro. O conteúdo extraído dos dispositivos inclui mensagens, arquivos e documentos que vêm sendo examinados pelos investigadores.

Nos bastidores da investigação, integrantes da PF descrevem o conjunto de informações obtidas nos aparelhos como uma “verdadeira colaboração premiada”, em razão da quantidade e da relevância dos dados encontrados.

A interpretação é que o material já oferece uma ampla base de informações para o aprofundamento das apurações, reduzindo a dependência de um eventual acordo de delação para obtenção de novas evidências.

PGR ainda não se manifestou

Embora a Polícia Federal tenha rejeitado a nova proposta apresentada pela defesa, as negociações não estão totalmente encerradas.

Os advogados de Daniel Vorcaro também mantêm interlocução com a Procuradoria-Geral da República, órgão que possui papel fundamental na formalização de acordos de colaboração premiada em casos sob análise do Supremo Tribunal Federal.

Até o momento, porém, a PGR não apresentou manifestação formal sobre a proposta encaminhada pela defesa do banqueiro.

A expectativa é que o órgão se pronuncie tanto sobre a eventual transferência de Vorcaro quanto sobre os desdobramentos das negociações envolvendo um possível acordo de colaboração.

Decisão caberá ao STF

Após receber o parecer da Procuradoria-Geral da República, caberá ao ministro André Mendonça decidir se acolhe ou não o pedido formulado pela Polícia Federal.

A decisão poderá redefinir as condições de custódia do banqueiro e influenciar os próximos passos de uma investigação que continua produzindo novos elementos de análise.

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