A Polícia Federal decidiu reabrir as negociações para um possível acordo de delação premiada com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado por suspeita de liderar um esquema de fraudes financeiras e intimidação de adversários. A sinalização, como informa O Globo, foi enviada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), por meio de uma petição protocolada pela corporação.
A mudança ocorre apenas uma semana após a PF rejeitar a primeira proposta apresentada pela defesa de Vorcaro. Na avaliação dos investigadores, os relatos entregues eram insuficientes diante do volume de provas já reunidas, especialmente o conteúdo extraído de celulares apreendidos com o empresário, familiares e aliados.
Nova fase das tratativas
Apesar da reabertura das conversas, as negociações terão de começar do zero. Isso inclui a assinatura de um novo acordo de confidencialidade, etapa necessária antes da formalização de qualquer proposta de colaboração premiada. O eventual acordo ainda dependerá de homologação do STF para ter validade jurídica.
A Procuradoria-Geral da República (PGR), que participa das tratativas, já havia defendido a continuidade das negociações, embora integrantes do órgão também considerem que Vorcaro deixou de apresentar informações relevantes em sua primeira tentativa de delação.
Troca de advogado influenciou decisão
Nos bastidores, a mudança de postura da PF é atribuída à troca no comando da defesa do ex-banqueiro. O criminalista mineiro Sérgio Leonardo assumiu oficialmente a condução do caso após a saída do advogado José Luis Oliveira, conhecido como Juca.
Considerado um dos nomes de maior confiança de Vorcaro, Sérgio Leonardo já vinha acompanhando o caso e realizando visitas frequentes à carceragem da PF em Brasília. Com 25 anos de atuação na área criminal, ele já participou da defesa de investigados em operações de grande repercussão, como Mensalão e Lava-Jato.
Além da carreira na advocacia, Sérgio Leonardo foi presidente da OAB de Minas Gerais e também Procurador-Geral da entidade. Ele pertence a uma tradicional família de juristas mineiros.
Pressa para fechar acordo antes das eleições
Integrantes da PGR avaliam que o ideal seria concluir as negociações até julho, evitando que o caso seja impactado pelo ambiente eleitoral. Nos bastidores, há entendimento de que é comum haver idas e vindas entre investigadores e defesa em acordos de colaboração premiada.
A recente decisão do ministro André Mendonça de autorizar o retorno de Vorcaro para uma sala de Estado-maior da Polícia Federal em Brasília também foi interpretada como um indicativo de que o investigado ganhou nova oportunidade para avançar na delação.
Atualmente, investigadores analisam cerca de oito mil arquivos extraídos de nove celulares ligados ao empresário. Para obter benefícios como redução de pena ou regime mais brando, Vorcaro precisará apresentar informações inéditas e relevantes para as investigações.






Deixe um comentário