Argentina vive nova crise cambial e dólar dispara às vésperas da eleição presidencial, no próximo dia 22

Uma nova corrida cambial ocorre na Argentina em meio à campanha eleitoral para escolher o novo presidente do país, que acontecerá no próximo dia 22. Nesta terça-feira (10), a cotação do dólar paralelo – o dólar blue – superou mil pesos, novo recorde histórico para um país que nos últimos anos sofreu sucessivas desvalorizações de…

Uma nova corrida cambial ocorre na Argentina em meio à campanha eleitoral para escolher o novo presidente do país, que acontecerá no próximo dia 22. Nesta terça-feira (10), a cotação do dólar paralelo – o dólar blue – superou mil pesos, novo recorde histórico para um país que nos últimos anos sofreu sucessivas desvalorizações de sua moeda nacional.

Nas ruas da capital, a moeda americana chegou a ser negociada a 1.025 pesos, segundo o La Nación, e encerrou o dia em 1.010 pesos. A cotação pode mudar de cueva para cueva, como são chamados pontos informais de troca de moedas. Em grupos de WhatsApp usados para compra e venda de dólares, a cotação do dólar blue também superou os mil pesos.

Desde as primárias realizadas em 13 de agosto – quando foram escolhidos os candidatos dos partidos que disputarão as eleições – o dólar blue já acumula desvalorização de 40%. A tendência, segundo analistas, é que esse movimento até o pleito no fim deste mês.

As turbulências financeiras elevaram ao máximo a tensão política no país. O ministro da Economia e candidato à Presidência do governo, Sergio Massa, culpa seu rival da extrema direita, Javier Milei, pela nova corrida ao dólar paralelo — que em 2 de outubro estava em 800 pesos. Na última segunda-feira, Milei disse a jornalistas locais que o peso era “um excremento”, atitude considerada irresponsável pelo candidato peronista. O candidato do partido A Liberdade Avança também defendeu a não renovação de aplicações de renda fixa em pesos.

Massa não apenas responsabilizou Milei pela disparada do dólar, como também disse, em evento na Câmara da Construção Argentina, que vai “prender os que atacam as poupanças das pessoas”.

— Posso ganhar ou perder a eleição, isso é secundário. Mas tenham a certeza de que até o dia 10 de dezembro (quando assume o novo presidente) vou me ocupar dos espertinhos, aviso para que depois não digam que atacamos o mercado ou as liberdades. Até que não os veja presos, não vou parar — declarou o ministro e candidato.

Paralelamente, o candidato do partido de Milei a chefe de governo da cidade de Buenos Aires, Ramiro Marra, afirmou a meios de comunicação locais que os argentinos não devem poupar em pesos.

— Hoje, mais do que nunca, cuidem do seu dinheiro, não poupem em pesos — declarou Marra.

Em evento na noite de segunda, ao lado do embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Scioli, o candidato da Casa Rosada afirmou que quando vê “candidatos que são capazes de incendiar a casa onde vivem para conseguir mais votos me preocupo”.

Na manhã desta terça, na tentativa de conter a nova corrida cambial, o Ministério da Economia argentino, junto com a AFIP (Receita Federal local), publicou novas regras para a utilização do cartão de crédito e débito dos argentinos no exterior, tornando mais cara a cotação para quem gasta em pesos fora do país.

O governo argentino unificou três tipos de dólares usados para viagens internacionais — o Catar, solidário e cartão —, e aumentou os tributos cobrados aos argentinos que pagam despesas no exterior com cartões de débito ou crédito.

O objetivo de Massa é limitar ainda mais as possibilidades que os argentinos têm de viajar e, assim, a demanda de dólares dentro da Argentina. As medidas, confirmou uma fonte do governo, não afetam estrangeiros que pagam com cartão de crédito ou débito na Argentina.

Nos bancos de Buenos Aires, as filas são cada vez maiores e alguns correntistas esperam mais de uma hora para sacar até mesmo US$ 40. Os dólares guardados em casa e não nos bancos são usados para pagar contas e para poupar, esperando que a cotação continue subindo.

Consultadas, algumas pessoas mencionaram as falas de Milei, mas outras culparam o próprio Massa pelo desastre econômico que vive o país.

Esta nova corrida é uma péssima notícia para o ministro candidato, que enfrenta o desafio de impedir uma vitória de Milei no primeiro turno, cenário que analistas locais não descartam. Ser ministro da Economia e candidato é uma combinação complexa, num país que atravessa, mais uma vez, uma crise econômica profunda, com inflação anual acima de 100%, taxa de pobreza de 41%, e o risco de fortes turbulências financeiras.

Com informações de O Globo.

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