Após nova disparada do dólar, Banco Central vende US$ 1,27 bilhão em leilão extra

Às 10h22, a moeda estadunidense disparava 1,29%, cotada a R$ 6,17

O Banco Central vendeu US$ 1,272 bilhão em leilão extraordinário de dólares no mercado à vista nesta terça-feira (17) após disparada da moeda estadunidense.

A nova intervenção não estava programada e foi anunciada pouco depois de o dólar voltar a subir em reação à divulgação da ata do Copom (Comitê de Política Monetária). Às 10h22, a moeda estadunidense disparava 1,29%, cotada a R$ 6,170.

A autoridade monetária comunicou que foram aceitas sete propostas, acolhidas entre 9h36 e 9h41, e que a taxa de corte do leilão foi de 6,1005.

Na ata, o Copom justificou o choque de juros apontando que a piora da inflação de curto e médio prazo exigiu postura mais tempestiva e que o cenário se tornou mais adverso com a materialização de riscos.

“Riscos à alta da inflação, tais como a resiliência da inflação de serviços, a desancoragem [afastamento da meta] das expectativas e a depreciação cambial se materializaram”, disse.

No documento, o colegiado do BC ressaltou que recentemente as condições financeiras e a taxa de câmbio passaram por forte alteração. “A conjunção de uma taxa de câmbio mais depreciada com a elevação das curvas de juros nominal e real torna o ambiente mais complexo”, afirmou.

Destacou também que o repasse do câmbio para os preços aumenta quando a demanda está mais forte, as expectativas dos agentes econômicos mais distantes da meta ou quando o movimento cambial é considerado mais persistente.

“O comitê deve acompanhar de forma mais detida como se dará a transmissão da taxa de câmbio e das condições financeiras para preços e atividade”, acrescentou.

Ao analisar o comportamento da inflação de curto prazo, disse que a trajetória do câmbio pressiona os preços e sugere aumento nos bens industrializados nos próximos meses.

A cotação do dólar usada pelo Copom na última reunião foi de R$ 5,95 –uma elevação significativa com relação ao encontro anterior, quando a moeda estadunidense estava cotada a R$ 5,75, mas já distante do patamar alçado nesta terça.

O BC, apesar das intervenções, não tem sido capaz de reverter a tendência de alta do dólar. O cenário reflete a preocupação do mercado financeiro com a trajetória das contas públicas do país. Há dúvidas sobre a aprovação do pacote de contenção de despesas no Congresso Nacional na reta final do ano.

Na última quarta (11), o Copom elevou a taxa básica de juros (Selic) em 1 ponto percentual, de 11,25% para 12,25% ao ano, e antecipou que prevê aumento de mesma intensidade nas duas próximas reuniões, em janeiro e março de 2025.

Se o cenário se concretizar, a Selic chegará ao patamar de 14,25% ao ano –pico da taxa básica na crise do governo de Dilma Rousseff (PT), entre 2015 e 2016.

Na segunda (16), o BC injetou US$ 4,6 bilhões no mercado de câmbio, sendo US$ 1,6275 bilhão em um leilão extraordinário de dólares à vista e mais US$ 3 bilhões com compromisso de recompra, no chamado leilão de linha.

Mesmo com a intervenção da autoridade monetária, o dólar fechou o dia no maior valor nominal da história, encerrando o pregão com disparada de 1,03%, cotado a R$ 6,091. O real foi a moeda que mais se desvalorizou entre as divisas dos países emergentes e entre as principais moedas do mundo.

Esse tipo de leilão à vista funciona como uma injeção de dólares no mercado, como forma de atenuar disfuncionalidades nas negociações e diminuir a cotação da moeda, seguindo a lei da oferta e demanda.

Na segunda, as intervenções feitas pelo BC tinham como principal objetivo fazer frente à saída sazonal de dólares, deixando o câmbio flutuar em função das condições de mercado. Tradicionalmente, a autoridade monetária costuma fazer leilões extras no fim do ano, sobretudo em dezembro, período em que empresas com filiais no Brasil enviam recursos ao exterior.

Com informações da Folha de S. Paulo.

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading