Caso Master: ativos do banco cresceram 2.123% após Vorcaro assumir o controle

Expansão acelerada antecedeu liquidação e apurações sobre esquema bilionário

O crescimento acelerado do Banco Master, sob a gestão do banqueiro Daniel Vorcaro, chamou atenção no sistema financeiro brasileiro antes de dar lugar a uma crise que culminou na liquidação da instituição e em investigações sobre supostas fraudes. Entre 2019 e 2024, os ativos do conglomerado saltaram de R$ 3,7 bilhões para R$ 82 bilhões, um avanço de 2.122,8%, segundo dados das demonstrações financeiras mais recentes.

A expansão ocorreu após Vorcaro assumir o controle do então Banco Máxima, em outubro de 2019. A estratégia adotada ao longo dos anos seguintes levou o grupo a subir de posições no ranking das maiores instituições financeiras do país, mas também passou a ser alvo de questionamentos e investigações.

Expansão acelerada e mudança de perfil

No início da gestão, o banco apresentava um volume relativamente baixo de operações. Em 2019, ocupava a 90ª posição entre os maiores conglomerados financeiros do país. Cinco anos depois, avançou para o 23º lugar, ultrapassando instituições tradicionais em ativos e volume de operações.

Parte desse crescimento foi impulsionada pela ampliação de investimentos em títulos e valores mobiliários. Esses ativos passaram de R$ 792 milhões, em 2019, para R$ 32,1 bilhões em 2024, representando quase 40% do total do conglomerado.

As operações de crédito também registraram forte expansão, saltando de R$ 768,4 milhões para R$ 16,8 bilhões no mesmo período. Além disso, o banco ampliou sua presença em caixa e bens permanentes, consolidando uma estrutura mais robusta em termos contábeis.

Esse desempenho refletiu diretamente nos resultados financeiros. O banco, que registrava prejuízo antes da mudança de controle, passou a apresentar lucro crescente. Em 2024, o conglomerado alcançou R$ 567 milhões de lucro líquido, figurando entre os maiores do país naquele ano.

Captação de recursos e crescimento do passivo

O aumento do ativo foi acompanhado por uma expansão semelhante no passivo, que passou de R$ 3,5 bilhões para R$ 77,3 bilhões no período. A maior parte desses recursos veio de depósitos de clientes, que somavam R$ 59,9 bilhões em 2024.

A estratégia de captação incluiu a oferta de produtos financeiros, como CDBs, frequentemente com taxas superiores às praticadas no mercado. Esse modelo permitiu ao banco atrair investidores e ampliar rapidamente sua base de recursos.

Comparativamente, o volume de depósitos colocou o Master entre os maiores captadores do país, superando inclusive instituições de porte relevante, embora com maior dependência de recursos de terceiros.

Crise, liquidação e investigações

Apesar do crescimento expressivo, a instituição entrou em crise em 2025, quando surgiram investigações sobre um suposto esquema envolvendo a emissão de títulos com rentabilidade elevada e a criação de carteiras de crédito consideradas irregulares.

A situação levou o Banco Central a decretar a liquidação do banco em novembro daquele ano, interrompendo suas operações e nomeando um liquidante para conduzir o processo. Parte dos clientes foi ressarcida pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), dentro dos limites legais, mas o episódio expôs desafios diante do volume de recursos envolvidos.

As investigações avançaram em diferentes frentes. A operação chamada Compliance Zero teve desdobramentos ao longo de 2025 e 2026, incluindo mandados de busca, bloqueio de bens e apuração de movimentações financeiras.

Em uma das fases, a Justiça autorizou o bloqueio de R$ 5,7 bilhões em ativos, além da apreensão de bens ligados ao banqueiro e seus familiares. Posteriormente, novas decisões ampliaram o alcance das medidas, com valores ainda mais elevados.

As autoridades também investigam a atuação de um grupo conhecido como “A Turma”, apontado como responsável por monitorar e intimidar adversários e jornalistas, além de suspeitas de envolvimento de servidores públicos em práticas irregulares.

Diante desse cenário, Daniel Vorcaro foi preso e permanece à disposição da Justiça, enquanto negociações relacionadas a eventual colaboração avançam.

Linha do tempo da ascensão

A trajetória do Banco Master teve início com a aquisição de ações do Banco Máxima, em 2017. Nos anos seguintes, Vorcaro consolidou o controle da instituição, promoveu a mudança de nome e ampliou o grupo com a criação de novas empresas e aquisições no mercado financeiro.

Entre 2022 e 2024, o conglomerado expandiu sua atuação com a incorporação de outras instituições e o fortalecimento de suas operações. Em 2025, chegou a negociar a venda do Master para o Banco de Brasília (BRB), em uma operação estimada em R$ 2 bilhões, que não se concretizou.

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