Após pressão de cúpula da federação, União Brasil diz que deixa ministérios se PP entregar comando da Caixa

Partido avalia estratégia para manter espaço no governo sem confronto direto com Lula, que cobrou fidelidade de ministros

Diante do desgaste interno provocado pela recém-oficializada federação União Progressista, integrantes do União Brasil discutem a possibilidade de entregar seus ministérios caso o Progressistas (PP) seja forçado a abrir mão do comando da Caixa Econômica Federal. Segundo informa a coluna Painel, do jornal Folha de S. Paulo, a movimentação é vista como uma forma de resposta à pressão da cúpula da federação, que defende o desembarque da base do governo Luiz Inácio Lula da Silva.

Atualmente, a Caixa é presidida por Carlos Antônio Vieira Fernandes, nome indicado pelo ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL). Ele assumiu no lugar de Rita Serrano, ligada ao PT, em um gesto que consolidou o espaço de influência do PP dentro do governo. Além da Caixa, o partido de Lira comanda ainda o Ministério dos Esportes, sob André Fufuca (MA).

O União Brasil, por sua vez, ocupa três ministérios: Turismo, com Celso Sabino (PA); Desenvolvimento Regional, com Waldez Goés; e Comunicações, chefiado por Frederico de Siqueira Filho. Enquanto o Turismo é visto como cota da bancada, as pastas do Desenvolvimento Regional e das Comunicações são atribuídas diretamente à articulação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

Estratégia política

Nos bastidores, a leitura é que dificilmente o PP enfrentará Arthur Lira para abrir mão da Caixa. Se a aposta se confirmar, isso daria ao União Brasil um álibi para manter seus ministros no governo, preservando espaço estratégico sem entrar em rota de colisão com o Planalto.

Ainda assim, cresce o desconforto com as cobranças de Lula. O presidente tem exigido que os titulares das pastas defendam publicamente o governo em meio aos ataques da cúpula da União Progressista. Parte dos parlamentares reconhece que o petista tem razão.

Um integrante do partido, sob reserva, resumiu a avaliação: “A reclamação de Lula é natural e os ministros, de fato, poderiam se posicionar mais diante das críticas internas na federação ao governo”.

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