O senador Flávio Bolsonaro convocou para esta terça-feira (19) uma série de reuniões com parlamentares aliados em meio ao desgaste provocado pelas revelações sobre sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro e o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A informação é do portal Metrópoles.
Os encontros representam a primeira tentativa formal do senador de conter a crise política aberta após o vazamento de mensagens e áudios nos quais ele aparece cobrando recursos financeiros de Vorcaro para viabilizar a produção cinematográfica.
A expectativa entre aliados é que Flávio apresente explicações detalhadas sobre as negociações envolvendo o projeto e tente reorganizar sua base política diante do impacto causado pelas denúncias nos bastidores da direita e do mercado político.
A primeira reunião está marcada para as 11h, a portas fechadas, com integrantes da bancada do PL na Câmara dos Deputados. Segundo parlamentares ligados ao partido, o encontro terá como foco ouvir a versão do senador sobre o caso e discutir estratégias para reduzir os danos à pré-campanha presidencial.
Já durante a tarde, Flávio deve participar de um almoço com o bloco de oposição Senado Vanguarda, grupo formado por senadores do PL e do Partido Novo.
Clima de desconfiança
Nos bastidores do Senado, o ambiente é descrito como de forte desconforto e ceticismo em relação ao futuro eleitoral do senador. Parlamentares próximos ao núcleo bolsonarista afirmam que a revelação das conversas envolvendo Daniel Vorcaro pegou até integrantes graduados da campanha de surpresa.
A avaliação reservada de parte da oposição é de que Flávio Bolsonaro teria conduzido as negociações sem compartilhar detalhes com aliados estratégicos, o que provocou irritação interna.
Entre integrantes da direita, a sensação descrita nos bastidores é a de que o senador teria cometido uma espécie de “traição” política ao manter aliados “no escuro” enquanto articulava a captação de recursos para o filme.
Apesar do desgaste interno, lideranças bolsonaristas passaram a defender publicamente o senador desde a divulgação das reportagens. Entre os nomes que se manifestaram estão os deputados Sóstenes Cavalcante e Nikolas Ferreira, ambos do PL.
No Senado, um dos principais defensores do pré-candidato foi o senador Sergio Moro.
A oposição também divulgou nota rebatendo suspeitas envolvendo o senador e defendendo a criação de uma CPI para investigar o Banco Master.
Pressão por explicações
A crise ganhou força após reportagem publicada pelo The Intercept Brasil revelar mensagens, documentos e áudios que indicariam participação direta de Flávio Bolsonaro na negociação para financiamento do filme Dark Horse.
Segundo a investigação, Daniel Vorcaro teria transferido cerca de R$ 61 milhões entre fevereiro e maio de 2025 para financiar a produção sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro.
O dinheiro teria sido enviado para um fundo sediado nos Estados Unidos ligado a um aliado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
As mensagens reveladas mostram que Flávio pressionava o empresário para acelerar os pagamentos relacionados ao projeto cinematográfico.
Inicialmente, o senador negou as informações divulgadas. Posteriormente, recuou e admitiu ter pedido recursos financeiros, embora tenha negado qualquer troca de favores.
Eduardo Bolsonaro também negou, em um primeiro momento, participação executiva na produção do filme. Depois, mudou a versão e confirmou atuar como produtor-executivo da obra, afirmando ainda ter investido R$ 350 mil no projeto.
Campanha sob pressão
Oficialmente, o PL mantém a posição de que Flávio Bolsonaro segue como pré-candidato do partido à Presidência da República em 2026. Internamente, porém, o caso passou a alimentar dúvidas sobre a viabilidade eleitoral do senador.
Uma ala da legenda avalia que o desgaste envolvendo Daniel Vorcaro pode comprometer a imagem pública de Flávio e prejudicar a consolidação de sua candidatura.
Nos bastidores, já surgem movimentos defendendo a substituição do senador pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro na disputa presidencial.
A expectativa é de que novas pesquisas eleitorais passem a incluir novamente o nome de Michelle como alternativa competitiva dentro do campo bolsonarista.
Segundo informações divulgadas pela coluna Igor Gadelha, do portal Metrópoles, integrantes do Centrão e setores do mercado financeiro discutem a possibilidade de uma chapa presidencial encabeçada por Michelle Bolsonaro em aliança com a senadora Tereza Cristina.
Apesar das articulações paralelas, dirigentes do PL seguem reafirmando apoio à pré-candidatura de Flávio.
Nos últimos dias, o senador manteve normalmente compromissos públicos em São Paulo e voltou a defender sua atuação no caso. Segundo ele, não houve irregularidade nos contatos com Daniel Vorcaro e o pedido de recursos teve como objetivo apenas financiar um filme privado sobre Jair Bolsonaro.
Durante as agendas, Flávio também intensificou críticas ao governo Luiz Inácio Lula da Silva.
A expectativa da equipe do senador é que, após as reuniões desta terça-feira, o tema passe a ser tratado internamente como superado.
Mensagens e áudio ampliaram desgaste
As conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro se estenderam por vários meses e incluíam ligações telefônicas e mensagens enviadas com recursos de visualização única.
Em um áudio enviado no dia 8 de setembro de 2025, Flávio demonstrava preocupação com atrasos nos pagamentos relacionados ao filme. O episódio ocorreu pouco depois de o Banco Central rejeitar a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).
Em uma das mensagens reveladas, enviada em 16 de novembro, o senador escreveu para Vorcaro: “Irmão, estou e estarei contigo sempre”.
Segundo a investigação, a relação entre os dois foi interrompida no dia seguinte, quando Daniel Vorcaro acabou preso pela primeira vez pela Polícia Federal no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.
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