Após conversa entre Trump e Putin, Rússia lança maior ataque à Ucrânia desde 2022

Bombardeios deixaram 23 feridos e atingiram seis distritos de Kiev; Zelensky acusa Moscou de não ter interesse em encerrar a guerra

A Rússia realizou nesta sexta-feira (4) o maior ataque aéreo contra a Ucrânia desde o início da guerra, em 2022, segundo autoridades ucranianas. O bombardeio em larga escala, que deixou pelo menos 23 feridos, ocorreu apenas um dia após uma conversa telefônica entre os presidentes Vladimir Putin e Donald Trump.

De acordo com o governo da Ucrânia, as forças russas lançaram 539 drones e 11 mísseis contra a capital, Kiev. Desses, 268 drones e dois mísseis foram interceptados pela defesa aérea. Ainda assim, os estragos foram significativos: seis dos dez distritos de Kiev foram atingidos, vários prédios foram danificados e moradores passaram a madrugada em estações de metrô subterrâneas, tentando se proteger.

“Passamos todas as noites aqui, conhecemos os funcionários e as pessoas que vêm”, relatou Yulia Golovnina, de 47 anos, enquanto buscava abrigo em uma estação da cidade.

O ataque deixou uma densa camada de fumaça no céu da capital e gerou um clima de tensão no país.

Ataque após conversa com Trump

O ataque em massa coincidiu com a ligação telefônica realizada entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e Vladimir Putin, na quinta-feira (3). Segundo o Kremlin, a conversa durou cerca de uma hora, e Putin reafirmou que a Rússia “não abrirá mão de seus objetivos” no conflito com a Ucrânia.

Trump declarou à imprensa que o diálogo não trouxe “nenhum progresso”, diferentemente das cinco conversas anteriores deste ano, nas quais havia demonstrado otimismo sobre uma possível solução para o impasse.

Zelensky: ‘Sem pressão, Rússia não muda’

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que o sistema de alerta antiaéreo foi acionado em todo o país logo após o anúncio da ligação entre Trump e Putin.

“Mais uma vez, a Rússia demonstra que não tem intenção de terminar com a guerra e com o terror”, afirmou Zelensky. Para ele, a ofensiva russa evidencia que, “sem uma pressão em larga escala, a Rússia não mudará seu comportamento estúpido e destrutivo”.

Segundo a Força Aérea da Ucrânia, o bombardeio desta sexta-feira representa o maior ataque aéreo sofrido pelo país desde o início da invasão, em fevereiro de 2022.

Escalada militar e falta de diálogo

O ministro ucraniano das Relações Exteriores, Andrii Sibiga, também se manifestou após os ataques. “Putin está mostrando claramente sua absoluta falta de consideração pelos Estados Unidos e por qualquer um que peça o fim da guerra”, disse Sibiga.

As ações russas se intensificaram especialmente durante o período noturno nas últimas semanas. Segundo a agência AFP, junho teve um número recorde de ataques com drones e mísseis contra alvos ucranianos, num momento de impasse nas negociações diretas entre Kiev e Moscou.

Ao mesmo tempo, a Ucrânia também vem ampliando suas ofensivas com drones contra o território russo. Em um desses ataques, uma mulher morreu após a queda de um drone ucraniano sobre um prédio residencial, de acordo com autoridades locais.

Preocupações com apoio dos EUA

A escalada dos ataques acontece num contexto de incerteza sobre o apoio internacional à Ucrânia. Nesta semana, os Estados Unidos anunciaram a suspensão temporária do envio de parte das armas que vinham sendo entregues ao governo de Zelensky, o que gerou preocupação entre as autoridades ucranianas.

A ofensiva desta sexta-feira reforça o temor de que, sem respaldo militar e pressão diplomática significativa, o conflito possa se prolongar ainda mais, com consequências devastadoras para a população civil.

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