A guerra entre Rússia e Ucrânia voltou a se intensificar com uma sequência de ataques aéreos nas últimas 48 horas. Neste sábado (5), as forças especiais ucranianas anunciaram uma ofensiva contra uma base aérea russa em Borisoglebsk, na região de Voronezh, no sudoeste da Rússia. A ação, segundo comunicado oficial divulgado nas redes sociais, teria atingido um depósito de bombas planadoras e uma aeronave de treinamento.
“A base abriga aeronaves inimigas Su-34, Su-35S e Su-30SM”, informou o texto. Ainda de acordo com o comunicado, outras aeronaves “provavelmente também foram atingidas”, embora não tenham sido divulgados detalhes sobre danos ou baixas. Moscou, até o momento, não reconheceu oficialmente o ataque.
Em resposta, a Rússia lançou um massivo bombardeio com 322 drones contra o território ucraniano entre a noite de sexta (4) e a madrugada de sábado (5), segundo a Força Aérea da Ucrânia. Do total, 157 teriam sido abatidos pelas defesas ucranianas, e 135 não chegaram ao destino devido a interferência eletrônica. A principal região atingida foi Khmelnytskyi, no oeste da Ucrânia. De acordo com o governador local, Serhii Tyurin, não houve registro de vítimas nem de danos significativos.
Os bombardeios ocorrem na esteira do maior ataque aéreo russo desde o início da guerra, em 2022. Na sexta-feira, ondas de drones e mísseis atingiram Kiev, deixando ao menos dois mortos e 26 feridos, conforme relatado pelo prefeito da capital, Vitali Klitschko.
Zelensky acusa Rússia de sabotagem e desrespeito
Diante da escalada, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que todo o país foi colocado em alerta máximo após o anúncio de uma conversa entre os presidentes Vladimir Putin e Donald Trump.
“Mais uma vez, a Rússia demonstra que não tem intenção de terminar com a guerra e com o terror”, declarou. Zelensky também ressaltou que apenas uma resposta contundente da comunidade internacional poderá conter Moscou: “Sem pressão em larga escala, a Rússia não mudará seu comportamento estúpido e destrutivo”.
O ministro ucraniano das Relações Exteriores, Andrii Sibiga, também acusou o Kremlin de desprezar os esforços diplomáticos.
“Putin está mostrando claramente sua absoluta falta de consideração pelos Estados Unidos e por qualquer um que peça o fim da guerra”, afirmou Sibiga.
A intensificação dos bombardeios ocorre num contexto de impasse diplomático. As negociações entre Kiev e Moscou estão estagnadas, e junho já havia registrado, segundo a AFP, um número recorde de lançamentos de drones e mísseis pela Rússia contra a Ucrânia.
Além disso, a nova rodada de ataques também coincide com um momento delicado na relação entre Kiev e Washington. Nos últimos dias, os Estados Unidos anunciaram a suspensão do envio de parte dos armamentos prometidos à Ucrânia, gerando preocupação entre os aliados e enfraquecendo temporariamente a capacidade de defesa ucraniana.
Enquanto isso, os ataques ucranianos a alvos em território russo também se intensificaram. Em um dos episódios mais recentes, um drone lançado por Kiev atingiu um prédio residencial na Rússia, matando uma mulher, segundo informou o governador interino da região.
Com os esforços diplomáticos paralisados e os ataques noturnos se tornando rotina, o cenário indica que a guerra no leste europeu entra em uma nova fase — marcada por maior agressividade, riscos ampliados e incertezas ainda maiores quanto ao futuro da região.
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