O governo da Romênia afirmou que neste sábado (13) um drone militar russo violou seu espaço aéreo, em mais um episódio que amplia as tensões no leste europeu. Trata-se do segundo país da Otan a relatar incursões desse tipo em menos de uma semana.
De acordo com o Ministério da Defesa de Bucareste, a aeronave não tripulada foi detectada por dois caças F-16 que monitoravam a fronteira com a Ucrânia, na região sul, durante ataques russos contra infraestruturas ucranianas no Danúbio. O radar registrou o drone a cerca de 20 quilômetros da localidade de Chilia Veche, antes de ele desaparecer.
As autoridades afirmaram que o equipamento não sobrevoou áreas povoadas nem representou risco imediato à população.
Reações na Ucrânia e na União Europeia
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, reagiu duramente e classificou a ação como intencional. “Não podia ser um erro, mas sim uma evidente expansão da guerra por parte da Rússia”, afirmou.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também condenou o episódio. Em comunicado, disse que a incursão foi “uma flagrante violação da soberania da União Europeia e uma séria ameaça à segurança regional”.
Já a embaixada russa em Bucareste negou qualquer envolvimento de Moscou no incidente.
Incidentes semelhantes na Polônia
O caso na Romênia ocorreu poucos dias após a Polônia relatar ter derrubado ao menos três drones russos que cruzaram sua fronteira. Foi a primeira vez, desde o início da guerra na Ucrânia em 2022, que um país da Otan atacou diretamente equipamentos militares russos em seu espaço aéreo.
A reação polonesa incluiu o fechamento temporário de quatro aeroportos, entre eles o Internacional Chopin, em Varsóvia, e a elevação do nível de alerta das defesas aéreas.
“As operações preventivas de aviação, polonesas e aliadas, começaram em nosso espaço aéreo”, declarou o primeiro-ministro Donald Tusk, acrescentando que os sistemas de defesa “atingiram o máximo estado de prontidão”.
O governo de Belarus, aliado da Rússia, alegou que os drones que invadiram o espaço polonês teriam se desviado por falhas nos sistemas de navegação.
Reforço militar e solidariedade europeia
Em resposta, a República Tcheca anunciou o envio de uma unidade especial de helicópteros de operações para a Polônia. O destacamento conta com três aeronaves Mi-171S, cada uma com capacidade para transportar até 24 militares e equipada com armamento completo.
Segundo a ministra da Defesa tcheca, Jana Cernochova, a medida busca reforçar a segurança no limite oriental da Otan diante da escalada das ações russas.
Sanções e pressões sobre Moscou
Zelensky voltou a pedir que os aliados ocidentais ampliem as sanções contra a Rússia. “O exército russo sabe exatamente para onde seus drones se dirigem e quanto tempo podem operar no ar”, afirmou.
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump disse estar “disposto” a endurecer as medidas contra Moscou, mas condicionou a decisão à adoção de contrapartidas pelos países da Otan, como a interrupção da compra de petróleo russo.
Contexto da guerra
A Rússia lançou a invasão em larga escala da Ucrânia em fevereiro de 2022. Desde então, o conflito se prolonga com avanços lentos no campo de batalha e sucessivos bombardeios aéreos contra cidades e infraestrutura crítica.
Nas últimas semanas, Moscou intensificou os ataques após a cúpula realizada no Alasca entre o presidente Vladimir Putin e Donald Trump, em meio a negociações internacionais sobre o futuro da guerra.






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