Rússia lança maior ataque aéreo contra Kiev desde o início da guerra e atinge pela primeira vez prédio do governo

Bombardeios deixaram mortos, dezenas de feridos e abalaram a capital ucraniana em meio a pressão por negociações de cessar-fogo

A Rússia realizou neste domingo (7) o maior ataque aéreo a Kiev desde o início da guerra contra a Ucrânia, em 2022. Ao menos duas pessoas morreram e mais de 20 ficaram feridas, segundo autoridades locais. Pela primeira vez, um edifício que abriga gabinetes ministeriais no distrito histórico de Pechersky, na capital ucraniana, foi atingido.

Uma coluna de fumaça foi registrada no prédio, mas ainda não se sabe se a estrutura foi alvo direto ou se foi danificada por destroços de outros bombardeios nas proximidades. Alertas aéreos permaneceram ativos por mais de 11 horas em Kiev e região, num dia marcado pela destruição em diversos pontos da cidade.

Mortes de civis e apelo internacional

As vítimas confirmadas são um bebê de três meses e sua mãe, resgatados dos escombros de um prédio residencial, segundo o chefe da administração militar de Kiev, Timur Tkachenko.

Em reação, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky classificou os ataques como um crime e voltou a cobrar reforço dos aliados ocidentais.

“Esses assassinatos agora, quando a diplomacia real já poderia ter começado há muito tempo, são um crime deliberado e um prolongamento da guerra”, declarou em publicação no X.

A primeira-ministra da Ucrânia, Yulia Svyrydenko, também se pronunciou.

“Vamos restaurar os prédios, mas vidas perdidas não podem ser recuperadas. O mundo precisa responder não apenas com palavras, mas com ações”, afirmou em mensagem divulgada no Telegram.

Destruição e resistência em várias regiões

O Ministério do Interior da Ucrânia informou que apartamentos residenciais foram atingidos em diversos pontos da capital. Moradores saíram às ruas para avaliar os estragos enquanto bombeiros trabalhavam para conter incêndios.

Segundo Zelensky, a ofensiva também se estendeu a outras partes do país, com danos registrados em Zaporizhzhia, Kryvyi Rih, Odesa, além das regiões de Sumy e Chernihiv. O porta-voz da Força Aérea, Yuriy Ihnat, disse que o ataque, realizado com 805 drones e 13 mísseis, foi o maior já feito por Moscou com drones desde o início da guerra.

De acordo com Kiev, a defesa ucraniana conseguiu neutralizar 747 drones e quatro mísseis. Ainda assim, nove mísseis e 56 drones atingiram 37 localidades, em oito delas com destroços caindo sobre áreas civis.

Moscou confirma ofensiva

O Ministério da Defesa da Rússia admitiu a operação e disse que os alvos foram fábricas de armamentos, arsenais, aeródromos, estações de radar e instalações de drones de longo alcance. Moscou justificou os bombardeios como uma forma de enfraquecer a capacidade militar da Ucrânia.

Apesar da justificativa, especialistas apontam que o ataque a um edifício do governo central em Kiev representa uma escalada inédita no conflito. Até então, Moscou havia evitado atingir diretamente prédios institucionais da capital.

Diplomacia e futuro incerto

O bombardeio reforçou o pessimismo quanto às negociações de paz. O presidente russo Vladimir Putin resiste a pedidos de cessar-fogo, enquanto se apoia no fortalecimento dos laços com a China.

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump tem endurecido o discurso em relação a Moscou, mas ainda não aplicou sanções mais severas. Ele afirmou estar elaborando garantias de segurança que poderiam abrir caminho para um acordo.

Já os aliados europeus reafirmaram apoio à Ucrânia, mas medidas concretas, como o envio de tropas, permanecem em debate. O Ministério da Defesa ucraniano confirmou que uma nova reunião com parceiros internacionais ocorrerá na próxima semana, com foco no fortalecimento das defesas aéreas e em estratégias de ataque de longo alcance contra a Rússia.

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