Aplicação de quase R$ 100 milhões em banco de terceira linha leva deputado a fazer nova denuncia contra o Rioprevidência

Luiz Paulo aponta repetição de risco após caso Master, cobra auditoria urgente e pede suspensão de novas operações junto ao TCE

O deputado estadual Luiz Paulo (PSD) apresentou uma nova denúncia ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) contra o Rioprevidência após identificar uma aplicação de quase R$ 100 milhões no banco Mirae, instituição classificada, segundo ele, como de terceira linha, assim como o banco Master.

No documento enviado à Corte, o parlamentar afirma que a operação reforça a “persistência e o agravamento do risco na gestão” dos recursos do fundo previdenciário estadual. Ele também solicita a realização de uma auditoria com urgência e pede a suspensão imediata de novos investimentos.

A denúncia destaca que, mesmo após o caso envolvendo o Master — que já havia motivado uma investigação do TCE a partir de 2024 —, o Rioprevidência continuou direcionando recursos para instituições de menor porte.

Entre os pontos apresentados, Luiz Paulo cita um relatório financeiro que aponta uma operação de R$ 99.452.339,32 no banco Mirae. Segundo o documento, esse tipo de investimento “reacende a preocupação quanto à saúde do fundo e ao risco de falta de recursos no futuro”, com impacto direto sobre aposentados e pensionistas.

Também é mencionado um alerta do próprio Conselho Fiscal do Rioprevidência, que identificou indícios de descumprimento das regras internas para escolha das instituições financeiras.

Críticas à repetição de operações

Ao comentar a nova denúncia, Luiz Paulo demonstrou indignação com a continuidade desse tipo de operação. Ele lembrou que já havia alertado sobre riscos semelhantes no passado.

“Não é possível que vão repetir o mesmo erro e quem vai pagar a conta são os aposentados e pensionistas. Um ano antes do banco Master virar manchete nacional, eu já tinha denunciado no Tribunal de Contas os investimentos do Rioprevidência. Sabe o que aconteceu? Nada”, afirmou.

O deputado também citou o impacto das aplicações anteriores. “Ninguém no governo se mexeu, e o resultado vocês já conhecem: R$ 1 bilhão jogados no lixo”, declarou.

Em tom crítico, ele questionou a repetição da estratégia. “Era para ter servido de lição, mas parece que não serviu. Agora o que se vê são quase R$ 100 milhões sendo aplicado em mais um banco de terceira linha”, disse, acrescentando: “O filme de terror nem terminou, mas já querem começar outro”.

Pedidos ao Tribunal de Contas

Na denúncia, o parlamentar pede que o TCE abra uma apuração sobre a operação com o banco Mirae e verifique os critérios utilizados para a aplicação dos recursos. Ele também solicita que sejam identificados eventuais responsáveis pelas decisões.

Além disso, Luiz Paulo requer a adoção de medidas para interromper imediatamente novas aplicações que não sigam as regras estabelecidas. “Já protocolei uma nova denúncia no TCE, e dessa vez espero que os responsáveis ajam antes que seja tarde demais”, afirmou.

Histórico do caso Master

A nova denúncia ocorre cinco meses após o episódio envolvendo o banco Master, que levou o TCE a iniciar uma apuração em 2024, também a partir de iniciativa de Luiz Paulo.

Na ocasião, técnicos do tribunal identificaram que, entre maio e julho de 2025, o Rioprevidência aplicou cerca de R$ 1 bilhão no banco, mesmo após alertas prévios. O fundo é responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de 235 mil servidores do estado.

De acordo com o deputado, o volume de recursos expostos pode ter sido ainda maior. Ele afirmou que, na época, já havia cerca de R$ 900 milhões aplicados, e que a investigação apontou potencial de exposição de até R$ 2,6 bilhões, considerando diferentes operações ligadas ao banco.

Nota da empesa

Por meio de nota, a Mirae prestou esclarecimentos sobre sua atuação no mercado financeiro e a relação com o Rioprevidência. Veja na íntegra:

A corretora Mirae Asset Brasil faz parte de um conglomerado financeiro global de origem sul-coreana, fundado em 1997, em Seul,  possui presença em 19 países, incluindo Estados Unidos, Reino Unido, Índia, China e Brasil. Que atua como Corretora de Valores e Gestão de Ativos, soma mais de US$ 613,8 bilhões de AUM (da sigla em inglês Assets Under Management ou Ativos Sob Gestão).

Presente no País há mais de 15 anos, a Mirae Asset (Brasil) CCTVM atua apenas na corretagem e na prestação de serviços financeiros para pessoas físicas e investidores institucionais. Portanto, a Mirae Asset não é um banco e nem é emissor de títulos bancários.

Conforme documentos disponíveis no site do Rioprevidência, a Mirae Asset é uma das corretoras de valores habilitadas a prestar serviços para o instituto desde dezembro de 2023 e prestamos de serviços de intermediação e custódia para o RioPrevidência.

Aproveitamos o contato para reiterar que a corretora segue todas as normas dos reguladores brasileiros, CVM e Bacen, e rígidos controles internos de compliance.

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