O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, tem dito a interlocutores próximos que está convencido de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conseguirá reduzir — e possivelmente até reverter — a tarifa de 50% imposta pelo governo dos Estados Unidos aos produtos brasileiros. Segundo ele, o diálogo entre Lula e Donald Trump, realizado no último domingo (26), na Malásia, sinaliza um movimento de distensão nas relações entre os dois países. As informações são da colunista Bela Megale, do jornal O Globo.
Valdemar tem repetido a aliados que “não tem dúvida” sobre a capacidade de Lula em conduzir as negociações. “Trump não quer brigar com o Brasil”, teria dito o dirigente, que reconhece na postura do petista uma habilidade política que pode abrir espaço para um acordo comercial favorável.
Reunião entre Lula e Trump na Malásia
O encontro entre Lula e Trump ocorreu em Kuala Lumpur, durante as reuniões da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), da qual ambos participaram como convidados. Foi a primeira reunião bilateral entre os dois desde que Trump assumiu novamente a presidência dos Estados Unidos.
No encontro, o presidente brasileiro defendeu a suspensão imediata do tarifaço que atinge as exportações brasileiras, especialmente nos setores agrícola e metalúrgico. Trump, por sua vez, sinalizou disposição para “trabalhar em acordos”, indicando que pode rever parte das sanções impostas caso haja avanços concretos nas negociações.
Críticas ao Judiciário e defesa de Bolsonaro
Valdemar Costa Neto também avaliou, segundo relatos de aliados, que o impasse com os Estados Unidos não está diretamente relacionado ao governo Lula, mas sim ao Judiciário brasileiro — sem mencionar nomes, mas em alusão às críticas do entorno de Trump e de Jair Bolsonaro (PL) ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Apesar de reconhecer o avanço diplomático promovido por Lula, Valdemar afirmou acreditar que Trump “não vai abandonar” Bolsonaro. Para o dirigente, o republicano continuará pressionando pela anistia do ex-presidente brasileiro, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
Visões distintas dentro do PL
A posição de Valdemar é parcialmente compartilhada por Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e seu grupo político, mas as interpretações divergem quanto ao impacto prático da reaproximação entre Lula e Trump.
Para o deputado federal e seus aliados, o encontro na Malásia teve valor apenas simbólico e não deve resultar em mudanças efetivas nas tarifas ou nas sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos. Eles avaliam que o gesto diplomático não altera o alinhamento ideológico entre Trump e Bolsonaro nem a posição crítica do republicano em relação ao Judiciário brasileiro.
Tarifa de 50% e impacto econômico
O tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros foi imposto em julho deste ano, após o avanço das condenações relacionadas à tentativa de golpe no Brasil. Na ocasião, Trump alegou que o governo brasileiro adotava medidas que “prejudicavam empresas americanas e os direitos de liberdade de expressão de cidadãos dos Estados Unidos”.
Antes disso, a tarifa era de 10%, aplicada em abril como parte de uma política de restrição a importações de países considerados “de risco político”. A medida afetou diretamente setores exportadores, como o de aço, alumínio e alimentos processados.
Durante o encontro na Malásia, Lula afirmou estar “convencido” de que o impasse pode ser resolvido “em poucos dias”, caso as conversas avancem. “Se depender de Trump e de mim, vai ter acordo”, disse o presidente brasileiro, em tom otimista.






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