Anvisa autoriza teste com medicamento que pode revolucionar tratamento de lesão medular

Pesquisa conduzida pela UFRJ com polilaminina entrará na fase 1 com cinco voluntários para avaliar a segurança da substância

A Anvisa autorizou a realização de um estudo clínico de fase 1 destinado a testar a polilaminina em pessoas com lesões medulares recentes. A liberação permite que cinco pacientes recebam a substância durante procedimento cirúrgico, com o objetivo principal de verificar possíveis riscos e reações adversas, informa Poder 360.

O que é a polilaminina
A polilaminina reproduz em laboratório as propriedades da laminina, proteína presente no organismo humano nas etapas embrionárias. O composto age como uma espécie de estrutura de sustentação para as células, orientando o crescimento e a ligação entre neurônios — característica que desperta interesse para a regeneração do tecido nervoso da medula espinhal.

Os participantes do ensaio deverão ter entre 18 e 72 anos e apresentar lesões agudas completas na região torácica, entre as vértebras T2 e T10. Outro critério é que o trauma tenha ocorrido há menos de 72 horas e que exista indicação médica de cirurgia, contexto considerado adequado para a aplicação experimental.

Histórico da pesquisa na UFRJ
O desenvolvimento da polilaminina é resultado de mais de duas décadas de investigações na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em experiências anteriores com oito voluntários, alguns deles demonstraram recuperação parcial de movimentos abaixo do ponto lesionado, sinal que motivou a continuidade dos estudos e o pedido de autorização regulatória.

Especialistas ressaltam, entretanto, que esses achados preliminares não comprovam eficácia terapêutica. Por se tratar da primeira etapa formal, a fase 1 concentra-se exclusivamente na segurança do produto, antes que sejam avaliados benefícios clínicos mais amplos.

Próximas etapas do estudo
Caso não sejam identificados problemas relevantes, o projeto poderá avançar para as fases 2 e 3. Nessas etapas posteriores, os pesquisadores buscarão confirmar se a substância realmente contribui para a regeneração neural e para a melhora funcional em um grupo maior de pacientes.

A expectativa é que o ensaio produza dados capazes de orientar novas abordagens para um dos quadros mais desafiadores da medicina reabilitadora. Lesões medulares costumam provocar perda permanente de sensibilidade e mobilidade, e ainda não existe tratamento consolidado para restaurar completamente o tecido nervoso.

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