Anvisa abre consulta pública para debater proibição do uso de cigarros eletrônicos no país

Foi aprovada por unanimidade pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), nesta sexta-feira (1), a abertura de consulta pública para revisar a regra que proíbe o cigarro eletrônico no Brasil. Em reunião hoje, a diretoria colegiada do órgão regulador decidiu dar prosseguimento ao processo de reavaliação da proibição de dispositivos eletrônicos para fumar. Além de…

Foi aprovada por unanimidade pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), nesta sexta-feira (1), a abertura de consulta pública para revisar a regra que proíbe o cigarro eletrônico no Brasil. Em reunião hoje, a diretoria colegiada do órgão regulador decidiu dar prosseguimento ao processo de reavaliação da proibição de dispositivos eletrônicos para fumar. Além de votarem pela abertura, diretores indicaram serem a favor da manutenção da proibição.

O prazo da consulta pública é de 60 dias e começa a contar 7 dias após a sua publicação no Diário Oficial da União (DOU). A proposta normativa, elaborado pela área técnica da agência, ficará disponível online para que a população faça sugestões e contribuições acerca da regulamentação, por meio de formulário eletrônico. O texto final da norma regulatória será apresentado pela Anvisa após a análise da consulta pública.

Em seu voto, o diretor-presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, indicou que, apesar de decidir pela abertura da consulta pública, é a favor da manutenção da proibição. Torres destacou que não existe comprovação científica de que os cigarros eletrônicos sejam menos prejudiciais à saúde do que os cigarros convencionais. Este é um dos argumentos usados pela indústria do tabaco para que a proibição seja flexibilizada.

— As conclusões técnicas do relatório foram de que não existem evidências que os indiquem (cigarros eletrônicos) como produto que podem ser utilizados para cessação do tabagismo. Trata-se de produtos que contêm substâncias tóxicas, muitas delas não conhecidas, e que apresentam efeito porta de entrada para o consumo de produtos convencionais, principalmente por jovens não fumantes.

O diretor Daniel Pereira também votou pela abertura da consulta com ressalvas a uma possível flexibilização da proibição.

— Destaco que o Ministério da Saúde, por meio de ofício enviado pela ministra, manifestou apoio a proposta de manutenção da proibição de comercialização, importação e propaganda dos DEF’s no país.

Enquanto isso, o também integrante da diretoria colegiada, Romison Rodrigues ressaltou que a consulta pública é uma medida usada pela Anvisa para ampliar a participação da sociedade no debate sobre o assunto.

— Saliento que a Anvisa tem conhecimento do interesse da sociedade pela matéria, motivo pelo qual submete a proposta normativa à consulta pública, que é um dos mecanismos de participação social adotados pela agência.

A consulta pública é mais um passo dado no processo de reavaliação da proibição de cigarros eletrônicos, conhecidos também como vapes. O procedimento foi iniciado em 2019, segundo a agência, porque houve a necessidade de rever os impactos da proibição e considerar os novos estudos e dados sobre o consumo de cigarros eletrônicos.

Desde 2009, a agência proíbe a fabricação, comercialização, importação e a propaganda de cigarros eletrônicos, também conhecidos como vapes. Os acessórios usados nos dispositivos também são proibidos.

Como parte do processo de reavaliação da medida, no ano passado, o corpo técnico da Anvisa aprovou, por unanimidade, relatório técnico que orientou manter a proibição.

A diretoria colegiada avaliou os impactos da proibição dos cigarros eletrônicos no Brasil, e a comercialização e uso dos dispositivos em outros países. Após discussões, na época, a agência também concluiu que ainda não há base científica para concluir que vapes são menos prejudiciais que cigarros convencionais.

Entidades médicas brasileiras vão na mesma linha da agência. O Conselho Federal de Medicina (CFM), a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), a Associação Médica Brasileira (AMB), a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e o Inca, se posicionam contra a liberação dos vapes no Brasil.

Segundo levantamento do Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria), do ano passado, 2,2 milhões de adultos no Brasil utilizam os vapes. Em 2018, eram menos de 500 mil.

Em paralelo ao processo de revisão na Anvisa, o debate também chegou ao Senado, onde tramita um projeto de lei (PL) que libera os cigarros eletrônicos. A medida foi proposta pela senadora Soraya Thronicke (Podemos) em outubro. Para a parlamentar, a medida é uma boa oportunidade para arrecadar impostos de empresas que venderiam vape no Brasil e argumenta que precisa haver maior regulamentação sobre o tema.

— O dispositivo foi criado para consumir nicotina, que é permitida no Brasil. Então há um limbo, você permite o consumo, mas proíbe a comercialização. E quando você não regulamenta, favorece a criminalidade, o contrabando. O número de usuários só aumenta e ninguém sabe o que está dentro desses dispositivos. O que queremos não é uma liberação, é rigidez. Regulamentação, empresas sérias, pagamento de impostos e geração de empregos — defende a senadora.

A tese de que não exista uma regulamentação sobre o tema no Brasil é rejeitada por Barra Torres.

— Não há de que se falar de ausência de regulamentação por parte da Anvisa, o regulamento existe, é datado de 2009 e contempla a proibição destes produtos — disse o diretor da Anvisa na reunião desta sexta.

O PL foi apresentado após uma audiência pública sobre o tema, que ocorreu no fim de setembro no Senado. O texto foi distribuído para três comissões, e está no momento com a relatoria da primeira, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), nas mãos do senador Eduardo Gomes (PL-TO). Soraya diz que a expectativa é que a votação, ainda sem data prevista, seja favorável ao projeto.

Enquanto isso, um segundo PL também tramita no Senado, mas propõe o oposto: tornar lei a regulamentação atual da Anvisa, incluindo na Constituição a proibição aos vapes. O texto foi apresentado pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE) em setembro, pouco antes da nova proposta.

Com informações de O Globo.

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