A Anistia Internacional acusou Israel de cometer um “genocídio transmitido ao vivo” contra a população palestina em Gaza, em seu relatório anual divulgado na segunda-feira (28). Segundo a organização, as forças israelenses violaram a Convenção das Nações Unidas para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio ao causarem danos físicos e mentais graves a civis e imporem condições de vida deliberadamente planejadas para provocar a destruição da população palestina. As informações são do portal Metrópoles.
De acordo com o documento, Israel negou, obstruiu e não permitiu a entrada de ajuda humanitária em Gaza, agravando a crise humanitária no território. A invasão da cidade de Rafah, no sul da Faixa de Gaza, foi realizada apesar dos alertas emitidos pela comunidade internacional e pelo Tribunal Internacional de Justiça, conforme relatado pelo jornal Al Jazeera.
“Desde 7 de outubro de 2023 — quando o Hamas perpetrou crimes horríveis contra cidadãos israelenses e outros, capturando mais de 250 reféns — o mundo tem sido testemunha de um genocídio transmitido ao vivo”, afirmou a secretária-geral da Anistia Internacional, Agnes Callamard, no relatório.
Callamard ressaltou que “os Estados assistiram como se não tivessem poder, enquanto Israel matava milhares e milhares de palestinos, eliminando famílias inteiras de várias gerações, destruindo casas, meios de subsistência, hospitais e escolas”. Ela também criticou o comportamento de Israel e de seus aliados, especialmente os Estados Unidos, acusando-os de agir como se “o direito internacional não se aplicasse a eles”.
Críticas aos EUA sob Donald Trump
O relatório da Anistia Internacional também direcionou críticas à atuação dos Estados Unidos sob a liderança de Donald Trump, que completou 100 dias de seu segundo mandato presidencial nesta terça-feira (29).
Segundo Agnes Callamard, “forças sem precedentes”, incluindo Trump, representam uma ameaça concreta aos direitos humanos em nível global. Ela apontou que os primeiros meses do novo governo estadunidense foram marcados por “uma multiplicidade de ataques — contra a responsabilização pelos direitos humanos, contra o direito internacional e contra a ONU”.
A organização expressou preocupação com o impacto das políticas de Trump, destacando que sua administração tem enfraquecido os princípios fundamentais da ordem internacional, especialmente em um momento de crise humanitária como o que se desenrola no Oriente Médio.
Contexto internacional
A retaliação de Israel ao Hamas, iniciada em outubro de 2023 após ataque do grupo militante palestino ao país sionista, agravou ainda mais a situação humanitária na Faixa de Gaza. O conflito já provocou milhares de mortes, destruição de infraestrutura e deslocamento em massa da população civil. Organizações de direitos humanos têm reiteradamente denunciado violações graves do direito humanitário internacional.
A divulgação do relatório anual da Anistia ocorre em meio à intensificação das críticas internacionais ao governo de Benjamin Netanyahu e a um ambiente de crescente tensão diplomática envolvendo Israel, os Estados Unidos e organismos multilaterais.
A Anistia Internacional defende que a comunidade internacional adote medidas concretas para garantir a responsabilização por crimes de guerra e crimes contra a humanidade, cobrando uma resposta mais firme dos organismos multilaterais e dos governos nacionais.





