Seis adolescentes com idades entre 12 e 15 anos precisaram de atendimento médico após ingerirem um medicamento controlado dentro da Escola Estadual Júlio de Mesquita Filho, no bairro do Ipiranga, zona sul de São Paulo, na manhã desta quinta-feira (6).
De acordo com o Corpo de Bombeiros, os alunos — três meninos e três meninas — apresentaram sonolência durante a aula por volta das 10h20, o que chamou a atenção de um funcionário da escola, que acionou o socorro. Os adolescentes relataram ter tomado clonazepam, um ansiolítico de uso controlado, informa a Folha de S.Paulo.
Medicamento foi compartilhado entre colegas
O tenente Vítor Fogolin da Silva afirmou que os jovens disseram ter combinado previamente de tomar o remédio juntos. Segundo ele, o grupo ingeriu o clonazepam antes do início das aulas, mas os efeitos começaram a aparecer já dentro da escola. “Apesar de estarem muito sonolentas, as crianças disseram que combinaram de tomar o medicamento juntos em uma data anterior”, afirmou o oficial.
A medicação, segundo relatos, pertenceria a uma das alunas, que a teria compartilhado com os colegas. Um médico da Unidade de Suporte Avançado aplicou um antídoto para a intoxicação ainda no local. Em seguida, os estudantes foram encaminhados para as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) do Ipiranga e da Mooca.
Pais correram para buscar filhos após o susto
O caso causou pânico entre familiares e alunos. As aulas, que normalmente terminam às 16h, foram parcialmente interrompidas. Pais de alunos do 6º ano foram orientados a buscar os filhos mais cedo, e outros responsáveis também decidiram retirar as crianças da escola por conta própria.
A dona de casa Claudia Patrícia, mãe de três alunos, contou que ficou em choque ao ver a notícia pela televisão. “Fiquei com medo e, quando cheguei aqui, as crianças estavam eufóricas, chorando”, relatou. Já Danilene Matos, mãe de quatro estudantes, soube do caso por um grupo de WhatsApp e saiu do trabalho às pressas. “Eu tava trabalhando e saí desesperada”, disse.
Escola e secretaria acompanham o caso
A direção informou que a unidade possui câmeras em todas as dependências, exceto nos banheiros — local onde o remédio teria sido consumido. “A escola tem 500 alunos e não dá para ficar vigiando o tempo todo”, declarou uma funcionária.
Em nota, a Secretaria Estadual da Educação afirmou que as aulas seguiram normalmente para os demais estudantes e que a equipe pedagógica “agiu prontamente ao perceber que seis estudantes não estavam bem”. A pasta informou ainda que as famílias foram comunicadas, o caso será registrado em boletim de ocorrência e o acompanhamento será feito pelo programa Conviva SP, que oferece apoio psicossocial a alunos e educadores.
O Conselho Federal de Farmácia alerta que o clonazepam age diretamente no sistema nervoso central e, quando usado de forma inadequada, pode causar sonolência intensa, tontura, prejuízo da coordenação motora e alterações cognitivas.






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