PF mira rede que enviava remédios controlados para os EUA; líder é preso

Organização criminosa exportava psicotrópicos sem prescrição; operação cumpre mandados em Rio das Ostras

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira (11) a Operação Tarja Preta, que mira um esquema de exportação clandestina de remédios de uso controlado do Brasil para os Estados Unidos. Duas pessoas foram presas, entre elas o líder do grupo.

Foram cumpridos um mandado de prisão temporária e seis de busca e apreensão em residências e estabelecimentos de Rio das Ostras, na Região dos Lagos.

Em um dos estabelecimentos, os agentes apreenderam vários medicamentos e prenderam um homem em flagrante.

Medicamentos apreendidos | Reprodução

Quatro pessoas e duas empresas estão na mira da investigação, que conta com apoio do Ministério Público Federal, dos Correios e de autoridades norte-americanas.

O homem apontado como líder do grupo foi detido em Orlando por agentes dos EUA e será deportado após os trâmites legais.

Como o esquema funcionava

As investigações tiveram início em 2023 e mostram uma estrutura organizada, com divisão clara de funções entre fornecedores, intermediários e quem recebia as encomendas.

“Conseguimos identificar três núcleos, sendo no Brasil e nos Estados Unidos. O primeiro eram os fornecedores, onde já temos duas farmácias identificadas. O segundo aqueles que faziam a remessa, utilizando os Correios, e alguns por donos de farmácia. E o terceiro núcleo, aquele que recebia e era responsável pela parte de logística, fazendo a distribuição para a clientela cativa em solo americano”, disse Adriano Espindula, chefe da Delegacia de Polícia Federal em Macaé.

O grupo enviava remédios de “tarja preta” para o exterior sem exigir receita médica, violando regras sanitárias brasileiras e norte-americanas.

Foram apreendidos medicamentos, receitas médicas irregulares assinadas mas sem o nome dos pacientes, celulares, documentos e mídias.

Medicamentos enviados

Entre os medicamentos apreendidos estão Zolpidem, Alprazolam, Clonazepam, Pregabalina e Ritalina — todos classificados como psicotrópicos ou entorpecentes pelo Ministério da Saúde.

Parte das remessas foi interceptada pela PF, pelo U.S. Customs and Border Protection (CBP) e pela Drug Enforcement Administration (DEA).

A PF também identificou movimentações financeiras suspeitas e transferências relacionadas ao esquema, com indícios de lavagem de dinheiro.

Os investigados podem responder por organização criminosa e tráfico internacional de drogas, além de outros crimes que surgirem no decorrer das investigações.

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