O tabuleiro político do Rio de Janeiro ganhou um novo movimento estratégico para 2026. O MDB fluminense oficializou aliança com o prefeito Eduardo Paes, do PSD, para apoiá-lo na disputa pelo governo do estado. O acordo, no entanto, não se estende à eleição presidencial e cria um cenário de palanque dividido.
Enquanto Paes reafirma apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o MDB do Rio promete caminhar com o senador Flávio Bolsonaro, do PL, na corrida ao Palácio do Planalto.
A composição foi costurada pelo presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, e pelo ex-prefeito de Duque de Caxias Washington Reis, que volta a comandar a legenda no estado. Pelo entendimento firmado, o MDB indicará Jane Reis como candidata a vice-governadora na chapa de Paes. Ela é irmã de Washington e do deputado estadual Rosenverg Reis.
O anúncio reacendeu questionamentos sobre como será possível dividir o mesmo palanque estadual com posições distintas na disputa presidencial. Paes, porém, tratou de delimitar o alcance da aliança e disse ter comunicado previamente Lula.
“Comuniquei ao presidente Lula, no domingo, quando estive com ele na inauguração do hospital em Jacarepaguá, que tinha feito uma aliança com o prefeito Washington Reis e que a Jane seria minha vice. O presidente Lula apoiou integralmente essa aliança”, afirmou.
Em seguida, o prefeito deixou clara a estratégia de campanha.
“O que nos une aqui é o Rio de Janeiro. Se eventualmente houver opinião diferente sobre presidente da República, isso é para outro dia”.
Nos bastidores, a avaliação do entorno de Paes é que o apoio do MDB fluminense a Flávio Bolsonaro não é visto como obstáculo, mas como oportunidade. A leitura é que o movimento pode facilitar a aproximação do prefeito com parte do eleitorado de centro-direita no estado.
Baleia Rossi reforçou o caráter institucional da decisão e defendeu a autonomia regional da legenda. Segundo ele, o MDB é “verdadeiramente democrático”, e “a união promovida tem muito valor para nós”.
Com a definição da vice e o alinhamento formalizado, a disputa pelo Palácio Guanabara começa a ganhar contornos mais nítidos, ainda que o cenário presidencial permaneça atravessado por posicionamentos distintos dentro da mesma aliança estadual.






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