Segundo a Folha de S.Paulo, aliados do governo Lula intensificaram nesta terça-feira (17) as críticas ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), após a ampla derrota sofrida pelo Planalto na votação da urgência para derrubar o decreto que aumentava o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). A proposta avançou com 346 votos favoráveis, incluindo apoios de partidos que ocupam 12 ministérios do governo federal.
A mudança abrupta de postura de Motta nos bastidores das negociações sobre o tema levantou um sinal de alerta entre ministros e articuladores do governo. Até a semana passada, o presidente da Câmara havia elogiado o pacote alternativo proposto pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, chegando a chamá-lo de “histórico”. Poucos dias depois, passou a criticá-lo publicamente, dando margem para a articulação que culminou na derrota do Executivo.
Interlocutores do Palácio do Planalto afirmam que Motta estaria atuando sob forte influência de três figuras centrais do centrão: Arthur Lira (PP-AL), seu antecessor no comando da Casa; Ciro Nogueira, presidente do PP e ex-ministro da Casa Civil no governo Bolsonaro; e Eduardo Cunha, ex-deputado federal cassado e considerado um mentor de Motta em seus primeiros anos de mandato.
“A sensação é de que ele está tutelado por esse trio. Motta pode até ter perfil de diálogo, mas até agora tem demonstrado mais obediência do que autonomia”, avaliou um parlamentar próximo à articulação política do governo.
Essa percepção acirrou as incertezas no núcleo político de Lula sobre qual será a real postura do novo presidente da Câmara: se buscará o diálogo institucional com o Executivo ou se assumirá uma postura de confronto, orientada pelas forças conservadoras que o ajudaram a se eleger.
Apesar do gesto adverso, auxiliares do governo ainda enxergam brechas para uma reaproximação. “Ele ainda está se posicionando, é cedo para cravar que virou um opositor. Mas o jogo está ficando mais claro”, disse outro aliado de Lula.
A derrota expressiva também acendeu o alerta sobre a coesão da base aliada no Congresso, especialmente diante de temas econômicos sensíveis. Com o episódio, cresce a percepção de que o governo pode enfrentar maiores dificuldades para avançar com sua agenda legislativa nos próximos meses.





