Presidente da Câmara ignorou ligações de ministros e até de Lula no dia da votação sobre o IOF

Hugo Motta evitou contato com o Planalto na sessão que derrubou decreto do governo sobre imposto e não atendeu nem o próprio presidente

No dia em que a Câmara dos Deputados votou pela derrubada do decreto que aumentava a alíquota do IOF, o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), decidiu não atender ligações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo fontes do Palácio do Planalto informaram à coluna de Igora Gadelha no portal Metrópoles, o chefe do Executivo tentou falar diretamente com Motta na quarta-feira (25/6) para fazer um último apelo e tentar evitar a derrota do governo no plenário.

A tentativa de contato de Lula teria ocorrido pouco antes da votação, em meio à mobilização do governo para tentar reverter o resultado. O decreto do IOF era uma das apostas da equipe econômica para elevar a arrecadação e, com isso, equilibrar as contas públicas.

Apesar da insistência, o presidente da Câmara optou por não atender. De acordo com interlocutores próximos ao deputado paraibano, ele já sabia qual seria o teor da conversa e preferiu evitar o constrangimento de ter que negar o pedido de Lula diretamente.

Além do presidente da República, Hugo Motta também ignorou ligações de ao menos dois ministros de peso do governo: Fernando Haddad (Fazenda) e Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais). Ambos tentavam reforçar a articulação em favor da manutenção do decreto, que acabou sendo derrotado.

Procurado pela reportagem Motta respondeu, por meio de sua assessoria, que não comentaria o episódio. O espaço permanece aberto para eventuais manifestações do presidente da Câmara.

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