Alertas de desmatamento caem 35% na Amazônia e governo projeta menor taxa desde 1988 em 2026

Dados do Deter apontam redução nos índices de desmatamento entre agosto e janeiro de 2025; Pantanal registrou alta no período

As áreas sob alerta de desmatamento na Amazônia caíram 35% entre agosto de 2025 e janeiro de 2026, na comparação com o mesmo período do ciclo anterior. Os dados são do sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e foram divulgados nesta quinta-feira (12) pelo governo federal.

No período, foram registrados 1.324 km² sob alerta de supressão vegetal na Amazônia Legal, ante 2.050 km² no ciclo anterior. Segundo a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, a tendência pode levar o país a registrar, em 2026, a menor taxa de desmatamento da série histórica iniciada em 1988, caso o ritmo de queda seja mantido.

“Há uma expectativa de chegarmos à menor taxa de desmatamento da série histórica na Amazônia se continuarmos com esses esforços”, afirmou a ministra, durante coletiva no Palácio do Planalto.

No Cerrado, a redução foi de 6% no mesmo intervalo, passando de 2.025 km² para 1.905 km² sob alerta.

Já no Pantanal, houve aumento de 45,5% em relação ao ciclo anterior — de 202 km² para 294 km². Ainda assim, o índice permanece abaixo do registrado entre 2023 e 2024.

O que medem os dados

Os números divulgados são do Deter, sistema que emite alertas quase em tempo real para orientar ações de fiscalização. Ele não substitui o Prodes, também do Inpe, responsável pela taxa oficial anual de desmatamento, consolidada entre agosto e julho do ano seguinte.

Especialistas do próprio instituto ponderaram que os meses restantes do ciclo ainda são decisivos, já que historicamente os maiores picos de desmate ocorrem no fim da estação seca.

Fiscalização e meta até 2030

O governo atribui os resultados ao reforço das ações de fiscalização e à articulação entre ministérios no âmbito da Comissão Interministerial de Prevenção e Combate ao Desmatamento.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, desde 2022 houve aumento nas operações do Ibama e do ICMBio, além da ampliação de embargos e apreensões em áreas críticas.

A meta anunciada pelo governo é zerar o desmatamento ilegal até 2030. Para isso, a gestão aposta na ampliação do monitoramento por satélite, no fortalecimento da fiscalização em campo e na retomada da destinação de florestas públicas.

Apesar da tendência apontada pelo Deter, técnicos ressaltam que o cenário ainda depende da manutenção das ações de controle nos próximos meses.

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