A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) anunciou a criação de um grupo de trabalho (GT) dedicado a discutir e implementar medidas preventivas contra o uso de drogas nas escolas públicas estaduais. A decisão foi tomada durante audiência conjunta das comissões de Prevenção ao Uso de Drogas do Parlamento e de Prevenção à Depressão e Drogas, da União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais (Unale), realizada nesta quarta-feira (21/05). O encontro reuniu representantes de órgãos legislativos, de saúde e segurança, além de especialistas no tema.
A iniciativa surge em meio a dados preocupantes apresentados na audiência, como o fato de que cerca de 35 milhões de brasileiros enfrentam transtornos relacionados ao uso de álcool e outras drogas, e que 63% dos estudantes entre 13 e 17 anos já experimentaram bebidas alcoólicas, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O presidente da Comissão Alerj, deputado Danniel Librelon (União), destacou a rapidez com que novas substâncias psicoativas surgem e a importância de compreender a realidade dos jovens para implementar políticas eficazes. Ele enfatizou o papel da educação e a necessidade de ampliar as ações preventivas nas escolas, reforçando o diálogo com a Secretaria de Estado de Educação (Seeduc).
“A internet e o avanço tecnológico tornaram os adolescentes ainda mais expostos e vulneráveis. Enquanto debatemos um problema, uma nova droga já aparece. Precisamos enfrentar isso com informação e orientação, apoiando também os professores, que já enfrentam muitos desafios em sala de aula”, afirmou Librelon.
A deputada Tia Ju (Republicanos), presidente da Unale, relacionou o consumo de drogas ao agravamento dos transtornos mentais e ao aumento dos casos de suicídio, especialmente entre jovens, e criticou a fragilidade das políticas públicas atuais.
“As políticas públicas ainda são muito fracas e insuficientes diante do número de pessoas afetadas. A prevenção é fundamental, e as escolas têm papel decisivo nesse processo”, ressaltou.
Representando a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o presidente da Comissão de Políticas sobre Drogas, Wanderley Rabelo, defendeu a educação como principal ferramenta de prevenção. Segundo ele, palestras, seminários e diálogos nas escolas são essenciais para conscientizar crianças e adolescentes.
“Tratar o problema depois é mais caro, complexo e com alto índice de reincidência. A prevenção precisa estar presente no cotidiano das escolas, das comunidades e das famílias”, destacou Rabelo.
Também presente, Douglas Manassés, da Subsecretaria de Políticas Inclusivas da Casa Civil do Rio, chamou atenção para o impacto das drogas na estrutura social, familiar, emocional e jurídica dos usuários. Ele alertou para a urgência de políticas efetivas e articuladas entre Estado, municípios e sociedade civil.
“Se não fortalecermos essas ações preventivas agora, vamos continuar tratando os jovens do futuro. E muitas vezes, não há tempo para tratar e salvar”, afirmou Manassés.
O tenente-coronel Carlos Pimenta, da Polícia Militar do Estado, ressaltou o papel da propaganda na normalização do consumo de álcool e cigarros eletrônicos, especialmente entre jovens. Segundo ele, a publicidade associa essas substâncias a status, diversão e bem-estar, o que contribui para a disseminação do consumo.
“O álcool está presente em eventos culturais e esportivos, mas o custo social e à saúde é altíssimo. O crescimento do uso de cigarros eletrônicos é alarmante, pois muitos jovens os consideram inofensivos, mesmo contendo alta concentração de nicotina e alto potencial de dependência”, alertou Pimenta.
A audiência contou ainda com a participação de representantes da OAB Vai à Escola, da Defensoria Pública, da Subsecretaria de Prevenção à Dependência Química, e do Hospital Universitário São Francisco de Assis, da UFRJ, fortalecendo o debate e a construção coletiva de estratégias para prevenção ao uso de drogas entre jovens.





