Ao anunciar que pedirá o impeachment de pelo menos dois ministros do STF, o presidente Jair Bolsonaro reforçou a disposição do senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) de manter na gaveta a indicação de André Mendonça à corte.
A única chance de o clima melhorar para destravar a a sabatina de Mendonça, segundo pessoas próximas de Alcolumbre, é se Bolsonaro baixar o tom do discurso, cessar os ataques a parlamentares e ao Supremo e der sinais claros de que não provocará mais fissuras entre os Poderes.
Desde que o presidente oficializou o nome do ex-advogado geral da União para ocupar a vaga deixada por Marco Aurelio Mello, em julho, Alcolumbre trabalha para que Mendonça não seja aprovado.
Segundo aliados, a estratégia do senador é postergar a sabatina pela qual o ex-ministro do governo deverá passar na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) e tentar emplacar no seu lugar o procurador-geral Augusto Aras. Ele, por sua vez, aguarda a sua própria sabatina no Senado após ter sido indicado por Bolsonaro para mais dois anos na chefia da PGR (Procuradoria-Geral da República).
Entre as razões para que Alcolumbre segure a inquirição de Mendonça está a preferência por outro nome e o discurso bélico de Bolsonaro.
Alcolumbre relatou a aliados ter ficado chateado com a pressão que bolsonaristas fizeram nas redes sociais para que ele colocasse em votação na CCJ do Senado uma PEC (proposta de emenda à Constituição) que estabelecia o voto impresso no Brasil, após o assunto ter sido rejeitado pela Câmara.
Há também um fator de cunho pessoal.
De acordo com pessoas próximas, Alcolumbre culpa Bolsonaro por não ter se empenhado o suficiente para resolver o problema do apagão que atingiu o Amapá no ano passado e, com isto, ter contribuído para a derrota de Jposiel Alcolumbre, seu irmão, que disputava a Prefeitura de Macapá.






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