O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), demonstrou forte contrariedade com o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP) após a divulgação da liminar do ministro Gilmar Mendes que restringe pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal. A tensão se instalou enquanto ambos participavam de uma reunião na residência oficial do Senado, marcada para discutir assuntos relacionados ao Amapá, estado governado pelo Solidariedade.
Segundo relatos de interlocutores, a irritação de Alcolumbre não se limitou ao conteúdo da decisão, mas também ao fato de a medida ter sido provocada pela ação apresentada por Paulinho, de quem é próximo. Poucos minutos depois da chegada do deputado, a liminar foi tornada pública, gerando desconforto imediato.
Reação dura no plenário do Senado
Horas após o episódio, Alcolumbre levou o incômodo ao plenário. Como presidente do Senado, ele é o responsável por analisar pedidos de impeachment de ministros do STF, o que atribui peso político adicional à decisão de Gilmar Mendes. Em discurso, classificou o caso como uma “grave ofensa à separação dos Poderes”, sinalizando que o episódio exacerbou um ambiente já sensível entre Legislativo e Judiciário.
A liminar do ministro estabeleceu limites mais rígidos para a tramitação de pedidos de afastamento de integrantes da Corte, deslocando parte do poder decisório que hoje está nas mãos do Senado. O gesto foi lido por parlamentares como interferência indevida no funcionamento da Casa.
Paulinho acumula desgastes e enfrenta resistências
Não é a primeira vez que Paulinho da Força se vê no centro de turbulências políticas. O deputado é relator do projeto da dosimetria, proposta que pretende estabelecer parâmetros mais claros para a definição de penas em casos relacionados aos atos golpistas de 8 de janeiro. A medida pode, inclusive, beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Desde setembro, Paulinho tenta costurar um texto capaz de agradar diferentes partidos, mas tem encontrado resistência — inclusive de Alcolumbre — à versão original. O parlamentar já se reuniu com representantes de PL, PT, União, PP, Republicanos, MDB, PSD, PSDB, Podemos, Solidariedade, Avante, PRD e Novo. Ainda assim, o projeto pouco avançou.
A combinação entre a liminar do STF e as tensões acumuladas pela relatoria reforça o isolamento do deputado em um tema sensível e politicamente carregado.






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