O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), anunciou a escolha de Renan Calheiros (MDB-AL) como relator do projeto que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) para trabalhadores com rendimento mensal de até R$ 5.000. A proposta, enviada pelo governo federal e aprovada por unanimidade na Câmara dos Deputados na semana passada, agora segue para análise dos senadores.
Segundo Alcolumbre, a decisão levou em conta a experiência e a trajetória política do colega de partido. “A experiência que [ele] tem do ponto de vista institucional, na relação com os outros poderes, por tudo que ele representa para o Senado da República e para o Brasil”, afirmou o presidente da Casa. A matéria deverá tramitar inicialmente pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) antes de ser levada ao plenário.
Renan Calheiros, ao comentar a indicação, destacou que pretende conduzir o processo com rapidez e rigor técnico. “Na forma do regimento do Senado Federal, o que tiver que ser emendado será emendado e o que tiver que ser suprimido será suprimido”, afirmou. O senador também disse que fará “um esforço para que a matéria não volte para a Câmara dos Deputados”.
Rivalidade alagoana volta a dominar os bastidores
A nomeação de Renan ocorre em meio à rivalidade política com o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que foi o relator do texto aprovado pelos deputados. Nos bastidores, interlocutores do Senado apontam que a condução da matéria por Calheiros reacende a disputa entre os dois principais nomes da política alagoana.
Renan criticou a forma como o projeto tramitou na Câmara, afirmando que o debate serviu como instrumento de pressão sobre o governo federal. “A tramitação na Câmara dos Deputados serviu como instrumento de chantagem e de pressão contra o governo”, declarou.
Comissão de Assuntos Econômicos já havia aprovado proposta semelhante
Antes mesmo da aprovação do texto pela Câmara, a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado — presidida pelo próprio Renan — havia aprovado, em caráter terminativo, um projeto que previa isenção do IR para quem recebe até R$ 4.990 por mês. A proposta foi encaminhada diretamente à Câmara, e o movimento foi interpretado como uma estratégia para forçar o avanço da matéria no Congresso.
Agora, com a proposta do governo Lula já validada pelos deputados, a expectativa é de que o Senado conclua a votação nas próximas semanas, permitindo que a nova faixa de isenção entre em vigor ainda este ano.
Entre aliados de Renan, a indicação é vista como um gesto político de Alcolumbre para reforçar a autonomia do Senado na condução de temas econômicos sensíveis, especialmente diante das pressões da Câmara e das negociações com o Palácio do Planalto.






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