Agora é o Oscar: triunfo de ‘O agente secreto’ pavimenta caminho para nova conquista

Filme de Kleber Mendonça amplia visibilidade internacional e entra fortalecido na corrida pela Academia

Santa Nanda da Sorte, como a equipe de O Agente Secreto batizou o santinho com a imagem de Fernanda Torres exibido no tapete vermelho do Globo de Ouro, parece ter surtido efeito. O longa de Kleber Mendonça Filho encerrou a cerimônia deste domingo (11) como um dos grandes vencedores da noite e saiu do evento com a campanha ao Oscar consideravelmente fortalecida.

O filme brasileiro conquistou dois prêmios: o inédito Globo de Ouro de melhor ator em filme de drama, com Wagner Moura, e o troféu de melhor filme em língua não inglesa. Mesmo derrotado por Hamnet: A Vida Antes de Hamlet na categoria principal de drama, o simples fato de estar entre os indicados já era considerado um marco.

Feito histórico para o cinema brasileiro

O Brasil nunca havia deixado o Globo de Ouro com dois troféus na mesma edição. Em 2025, Ainda Estou Aqui garantiu o prêmio de melhor atriz de drama para Fernanda Torres, mas não venceu como filme em língua não inglesa. Antes disso, apenas Central do Brasil e Orfeu Negro —este último mais próximo de uma coprodução francesa— haviam triunfado nessa categoria.

Mais do que as estatuetas, o maior ganho para O Agente Secreto foi a visibilidade. O tempo de tela e os discursos de Wagner Moura e de Kleber Mendonça Filho ajudaram a ampliar o interesse em torno do longa, atraindo público e atenção da indústria em um momento decisivo da temporada de premiações.

Exposição como trunfo na corrida do Oscar

Na lógica da campanha ao Oscar, a exposição é fundamental. Quanto mais se fala de um filme, maiores são as chances de ele ser lembrado pelos membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas no momento do voto. Em um cenário em que produções estrangeiras disputam espaço limitado entre votantes majoritariamente anglófonos, sair na frente pode ser decisivo.

Com as vitórias no Globo de Ouro, O Agente Secreto superou concorrentes diretos como o francês Foi Apenas Um Acidente, o norueguês Valor Sentimental, o espanhol Sirât, o sul-coreano A Única Saída e o tunisiano A Voz de Hind Rajab, consolidando-se como um dos favoritos da temporada internacional.

Wagner Moura ganha fôlego na disputa individual

Na categoria de atuação, Wagner Moura venceu uma disputa de peso, superando Joel Edgerton, Oscar Isaac, Dwayne Johnson, Michael B. Jordan e Jeremy Allen White. A vitória foi vista como crucial para recolocar o ator baiano no radar do Oscar, após reveses recentes no SAG Awards e no Bafta.

Ainda assim, o caminho até a indicação segue complexo. A corrida masculina deste ano é considerada uma das mais acirradas dos últimos tempos, e o número de indicados ao Oscar é bem menor do que no Globo de Ouro, o que eleva o grau de dificuldade.

Diferenças entre Globo de Ouro e Oscar

Os dois prêmios também diferem significativamente em seu corpo de votantes. No Globo de Ouro, votam 399 jornalistas e críticos de 76 países, enquanto o Oscar reúne cerca de 10 mil profissionais da indústria, majoritariamente dos Estados Unidos e do Reino Unido. Quase 10% dos votantes do Globo de Ouro são brasileiros, proporção muito superior à observada na Academia.

Mesmo assim, o Oscar conquistado por Ainda Estou Aqui no ano passado pode ter ajudado a romper resistências e abrir caminho simbólico para O Agente Secreto. As chances de o Brasil aparecer entre os indicados a melhor filme internacional, cuja lista será divulgada no próximo dia 22, são consideradas elevadas.

Um ciclo de visibilidade rumo a março

Com mais atenção da mídia internacional, entrevistas em programas americanos e aumento de bilheteria, o filme entra em um ciclo virtuoso típico das grandes campanhas ao Oscar. Cada nova menção amplia o alcance e reforça sua presença no imaginário dos votantes.

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