Advogado de Mauro Cid desafia STF e PGR após polêmica com viagem da família aos EUA

Advogado de Mauro Cid ataca a Procuradoria-Geral da República e afirma que o militar não tem de se justificar por viagem dos familiares; PGR vê risco de fuga e pediu prisão do ex-ajudante de Bolsonaro

O nome de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, voltou a sacudir os bastidores da política neste fim de semana. O motivo? Uma declaração explosiva de seu advogado, Cezar Bitencourt, em resposta ao pedido de prisão feito pela Procuradoria-Geral da República (PGR). “Dane-se o PGR”, afirmou Bitencourt à Folha de S.Paulo, elevando o tom contra o procurador-geral Paulo Gonet.

A polêmica gira em torno da viagem da esposa e dos filhos de Mauro Cid aos Estados Unidos. A PGR entendeu o embarque como um indício de que o militar, investigado por crimes ligados ao núcleo bolsonarista, estaria tentando fugir do Brasil. Além disso, segundo o pedido protocolado no Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-ministro do Turismo Gilson Machado, aliado próximo de Bolsonaro, teria tentado ajudar Cid a obter um passaporte português, reforçando a tese de tentativa de evasão.

A ofensiva da PGR resultou numa operação da Polícia Federal que chegou a bater na porta de Mauro Cid com mandado de prisão em mãos. No entanto, ao chegarem à casa do militar, os agentes foram informados de que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, havia revogado a ordem pouco antes.

A resposta da defesa veio de forma dura e direta. Bitencourt alegou que a ida da família ao exterior é um direito legítimo e que seu cliente “não deve explicações à Justiça”. Para o advogado, o processo não pode pautar os passos pessoais de Mauro Cid. “A vida do Cid segue indiferente à existência do processo”, disparou.

Enquanto Gilson Machado chegou a ser preso preventivamente no Recife, sendo solto horas depois, o caso de Mauro Cid permanece sob análise. A movimentação reforça o clima de tensão entre investigados ligados ao ex-presidente Bolsonaro e os órgãos de investigação, especialmente no momento em que o cerco jurídico se estreita.

A situação reacende o debate sobre liberdade de locomoção de investigados, os limites de atuação da defesa e os sinais de que parte do grupo político de Bolsonaro estaria buscando rotas para deixar o país em meio às investigações em curso.

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