As inundações no Rio Grande do Sul causaram devastação em residências, indústrias e estabelecimentos comerciais, com o acúmulo de lixo nas ruas se destacando como parte do cenário de destruição. Em áreas ainda alagadas, dejetos flutuam na água, enquanto partes turvas indicam a contaminação por óleo de veículos submersos e substâncias químicas de empresas locais.
Nos locais secos, os moradores estão realizando a limpeza de suas casas e colocando móveis e eletrodomésticos não aproveitáveis do lado de fora. A estimativa da Prefeitura de Canoas, uma das cidades mais afetadas, é de que a área alagada gere cerca de 120 mil metros cúbicos de lixo, em comparação com os 8 a 9 mil metros cúbicos mensais gerados normalmente.
No ano passado, as inundações no estado resultaram em aproximadamente 100 mil toneladas de resíduos. No entanto, a tragédia deste ano afetou um número significativamente maior de cidades.
Ainda não há uma estimativa precisa do volume de lixo resultante deste evento, devido à continuidade das inundações em muitas áreas, dificultando a avaliação do estrago causado pelas chuvas.
Um dos desafios enfrentados pelas autoridades municipais é a separação do lixo, uma vez que dejetos orgânicos e recicláveis se misturaram durante as inundações.
A secretária de Meio Ambiente do governo do RS, Marjorie Kauffmann, tem fornecido orientações às prefeituras sobre a destinação adequada dos resíduos, especialmente aqueles provenientes de grandes empresas, que requerem tratamento especial.
Em Canoas, uma área específica foi designada para o enterro de animais mortos pelas inundações, com licenciamento ambiental adequado. Além disso, a prefeitura contratou serviços emergenciais para o descarte de entulhos volumosos, como móveis, e está enviando outros materiais para cidades vizinhas, como Gravataí.
Os municípios têm improvisado aterros e considerado locais fora do estado para o descarte dos resíduos, incluindo regiões de Santa Catarina.
Em Porto Alegre, a situação foi complicada pelo fato de o aterro sanitário em Minas do Leão, próximo à cidade, ter ficado alagado e com acesso bloqueado. A coleta domiciliar teve que ser transferida para uma estação local, e a prefeitura está buscando um novo aterro para lidar com a demanda.
As autoridades alertam para que as pessoas tenham cuidado ao lidar com objetos encontrados em suas residências após as inundações, pois podem estar contaminados.
Hundertmarker, diretor-geral do Departamento Municipal de Limpeza Urbana de Porto Alegre, relata encontrar objetos pessoais danificados, como documentos e fotografias, enquanto presta apoio aos colaboradores durante os trabalhos de limpeza.
Com informações da Folha de S. Paulo.





