Porto Alegre enfrenta uma crise de limpeza urbana após as enchentes das últimas semanas. A capital gaúcha está tomada por montanhas de móveis, alimentos e produtos destruídos pelas chuvas, transformando a cidade em um verdadeiro lixão a céu aberto.
Os moradores relatam mau cheiro, restos de peixes e outros animais mortos, além de insetos e animais peçonhentos. Lama e lodo se espalham por áreas inundadas. Só na última semana, foram retiradas mil toneladas de resíduos. Vários pontos da cidade ainda estão submersos, e seis bairros permanecem inacessíveis, dificultando o trabalho dos garis.
Em 16 de maio, a prefeitura informou que já haviam sido removidas 119 toneladas de lixo nos bairros Cidade Baixa e Menino Deus, onde a água havia recuado. Pesquisadores do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da UFRGS, em parceria com a empresa Mox Debris e voluntários, estimam que as enchentes no Rio Grande do Sul geraram até 46,7 milhões de toneladas de entulho.
A prefeitura assinou um acordo para a contratação emergencial de um aterro sanitário em Gravataí, a 30 km da capital, com custo previsto de R$ 19,7 milhões. O novo aterro ocupará uma área de 270 hectares e será destinado a resíduos das enchentes, podendo receber até 180 mil toneladas de lixo.
Nessa quinta-feira (23), fortes chuvas voltaram a castigar Porto Alegre, causando novos alagamentos. O prefeito Sebastião Melo (MDB-RS) convocou uma reunião de emergência e uma coletiva de imprensa para abordar a situação. Melo anunciou a suspensão das aulas nas redes municipal e privada e ordenou o fechamento das comportas da cidade.
“Nós sabíamos dessa chuva, tínhamos essa previsão. O governo do estado publicou e nós republicamos em nossas redes sociais da prefeitura, dizendo que poderia chover na Região Metropolitana de 60 a 100 mm. Essa chuva concentrou muito hoje pela manhã; na Região Sul já choveu 100 mm até agora. E aquilo que era um problema das áreas alagadas se estendeu para toda a cidade. Por conta da chuvarada, temos sérios problemas, além das áreas alagadas. Então, temos que tomar algumas decisões: a primeira, é que vou suspender as aulas municipais e particulares”, disse o prefeito.
Melo afirmou que a suspensão das aulas deve valer, a princípio, até esta sexta-feira (24). “A chuva vai diminuindo, e volta certa normalidade”. As escolas municipais permanecerão abertas para acolhimento e as cozinhas funcionarão para atender a população.
Com informações de O Globo





