Com novas chuvas, população de Porto Alegre se revolta com repetição do caos

Apesar da previsão de mais chuva, a Prefeitura de Porto Alegre continua orientando os moradores a colocarem seus resíduos nas calçadas

As ruas de Porto Alegre amanheceram novamente alagadas nesta sexta-feira (24), especialmente nos bairros Cidade Baixa e Menino Deus. Montanhas de lixo e lama se acumularam, desencadeando uma onda de revolta entre os moradores, que se viram obrigados a recomeçar o processo de limpeza e reconstrução.

A intensa chuva que caiu na quinta-feira (23) arrastou móveis e pilhas de resíduos, complicando ainda mais a situação já delicada. A prefeitura mobilizou todo seu efetivo para lidar com a sujeira, mas a atuação de 800 garis, acompanhados por 200 caminhões e retroescavadeiras, parecia insuficiente diante do caos.

O Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) concentrou seus esforços em 15 locais, com destaque para a Avenida Múcio Teixeira, divisória dos bairros mais afetados. A cena era de mobilização intensa, mas a ordem ainda estava distante de ser restaurada até o meio-dia desta sexta.

Enquanto isso, na Rua Botafogo, moradores e trabalhadores da região expressavam sua indignação diante da recorrência do problema. Lilian Otto, funcionária do restaurante SantaAna, desabafou: “É uma indignação, raiva, tristeza – não só aqui, mas em toda a cidade. Os serviços são mal feitos, vemos incompetência da gestão.” Esta é a quarta vez em dois anos que o estabelecimento é afetado.

Ontem à noite, cerca de 20 pessoas protestaram pelas ruas da Cidade Baixa, denunciando negligência em vez de desastre. Na quarta-feira, moradores do Humaitá bloquearam a BR-290 em protesto, enquanto na segunda-feira, residentes do Sarandi manifestaram-se no cruzamento das Avenidas Sertório e Assis Brasil, ainda lidando com casas submersas há 20 dias.

Apesar da previsão de mais chuva, a Prefeitura de Porto Alegre continua orientando os moradores a colocarem seus resíduos nas calçadas. “Podem continuar colocando (os resíduos para fora nas calçadas). Móveis e pequenos objetos ensacados. Estamos orientando que ninguém mexa nesses resíduos. Muitos desses objetos estão contaminados”, afirmou Carlos Alberto Hundertmarker, diretor-geral do DMLU, à Rádio Gaúcha.

Com informações de Metrópoles

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