RICARDO BRUNO
Após ter sido absolvido pelo TRF-2 – que anulou a sentença teratológica do magistrado dublê de justiceiro Marcelo Bretas – o ex-governador Luiz Fernando Pezão decidiu voltar à vida pública: deve se candidatar nas próximas eleições a prefeito da pequena Piraí – onde começou a vida pública, primeiro, como vereador, e depois como titular da prefeitura.
O retorno à política por Piraí e pelo MDB tem forte simbologia. Marca o recomeço a partir da trajetória inicial; exibe disposição de seguir o caminho que, mais tarde, lhe permitiria comandar o Governo do Estado. Aos 68 anos, Pezão quer mostrar aos conterrâneos que novamente pode emprestar sua experiência ao desenvolvimento da cidade.
Ontem, a casa onde reside há mais de 30 anos, no centro de Piraí, foi cenário de uma interminável romaria de vereadores, ex-vereadores, lideranças comunitárias e populares em geral que foram cumprimentá-lo pela vitória, pela reabilitação de sua honra.
A mácula imposta pelo juiz que se supunha paladino da moralidade havia sido finalmente afastada. Terminava ali o calvário do ex-governador – cujo mandato popular fora interrompido com funesto espalhafato pela famigerada operação Lava Jato.
Preso dentro do Palácio Guanabara, com homens da Polícia Federal armados até os dentes numa ação rocambolesca, Pezão perdeu o mandato, teve câncer, foi humilhado, depois alvo de uma sentença inverossímil, e agora finalmente absolvido. O Estado brasileiro lhe deve uma reparação. Não pela prisão desarrazoada. Mas fundamentalmente pela interrupção de um mandato ungido pelo voto popular.
A Justiça não deve mas pode sim errar com os homens. Os erros judiciais explicam. Mas, em hipótese alguma, pode falhar na defesa dos postulados democráticos representados pela eleição de um governador de estado. Sequestrá-lo em pleno mandato, no interior do Palácio Guanabara, e, depois absolve-lo, por absoluta falta de provas é fato a ser inscrito nos anais do Judiciário como exemplo de inadmissível arbítrio do Estado brasileiro.





