O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, decidiu retirar a legenda do major Emmanuel Novaes, piloto de caça da ativa em Roraima que pretendia disputar uma vaga de deputado federal nas eleições deste ano. Segundo informa a coluna de Bela Megale no jornal O Globo, a decisão foi tomada após um pedido do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, diante das críticas públicas feitas pelo militar ao alto comando das Forças Armadas.
Novaes adotou como uma das principais bandeiras de sua pré-campanha o mote “pelo fim dos melancias”, expressão pejorativa difundida em setores da extrema direita para atacar militares considerados simpáticos à esquerda.
A metáfora associa as cores da melancia à suposta orientação política desses integrantes das Forças Armadas: seriam verdes por fora, em referência à farda, e vermelhos por dentro, numa alusão à esquerda.
Entre os principais alvos das manifestações do major estão oficiais que integram o alto comando das Forças Armadas. Pela posição institucional que ocupam, esses militares mantêm interlocução com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o Ministério da Defesa.
Atuação nas redes provoca reação
A conduta de Emmanuel Novaes nas redes sociais passou a causar desconforto também pelo fato de ele continuar na ativa.
A legislação e as normas militares impõem restrições à participação político-partidária de integrantes das Forças Armadas em serviço ativo, além de estabelecer limites para manifestações políticas e para a participação de militares fardados em atos dessa natureza.
Apesar dessas restrições, o major mantém uma série de publicações de conteúdo político nas redes sociais. As manifestações contra integrantes do alto comando passaram a chamar a atenção da cúpula da Defesa e acabaram chegando ao comando nacional do PL.
José Múcio procurou Valdemar Costa Neto e pediu uma providência em relação à candidatura. O presidente do partido concordou com a avaliação de que a legenda deveria ser retirada diante dos ataques feitos pelo major às Forças Armadas.
A decisão também ocorre em meio à preocupação das cúpulas partidárias com a atuação política de integrantes das Forças Armadas e com os limites impostos a militares da ativa que pretendem concorrer nas eleições.
Pedido de Múcio pesou na decisão
José Múcio e Valdemar mantêm boa relação e diálogo frequente, apesar de ocuparem posições distintas no cenário político. O ministro da Defesa integra o governo Lula, enquanto o PL é a principal legenda da oposição e abriga o grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nesse caso, porém, a preocupação envolvendo a disciplina e a hierarquia dentro das Forças Armadas levou Múcio a procurar diretamente o dirigente partidário.
Valdemar decidiu atender ao pedido e retirar do major a possibilidade de disputar a eleição pelo PL. A medida representa um revés para os planos eleitorais de Novaes, que vinha construindo sua pré-candidatura justamente a partir de um discurso de enfrentamento à cúpula militar.
A decisão do comando nacional também evidencia um limite imposto pelo PL ao discurso de confronto com integrantes das Forças Armadas, ainda que a legenda tenha forte presença de militares e de políticos ligados ao bolsonarismo.
Major reage e promete manter candidatura
A informação sobre a retirada da legenda chegou a Emmanuel Novaes, que reagiu publicamente.
O major usou as redes sociais para reclamar da decisão tomada pela direção nacional do PL e indicou que pretende continuar buscando espaço para concorrer a deputado federal.
Novaes afirmou que não desistirá da candidatura calado, sinalizando que a decisão de Valdemar poderá abrir uma nova disputa política em torno de seu futuro eleitoral.
Sem a legenda do PL, porém, o militar precisará encontrar outra alternativa partidária caso pretenda levar adiante o projeto de disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados, respeitados os prazos e as exigências estabelecidos pela legislação eleitoral.
O episódio também expõe uma situação delicada para a direção do PL. Ao mesmo tempo em que busca mobilizar o eleitorado identificado com Jair Bolsonaro e mantém forte presença de candidatos oriundos das forças de segurança, o partido tenta evitar que disputas eleitorais se transformem em confrontos diretos com a estrutura de comando das Forças Armadas.
No caso de Emmanuel Novaes, a intervenção de José Múcio e a decisão de Valdemar Costa Neto interrompem, ao menos dentro do PL, uma pré-campanha construída justamente sobre ataques à cúpula militar.






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