A operação de guerra da política fluminense para fazer André Ceciliano Senador da República

RICARDO BRUNO Um comentário do presidente Jair Bolsonaro, em live na noite de terça-feira, 28, tornou pública a senha de um gigantesco movimento em gestação no meio político fluminense para alavancar a candidatura de André Ceciliano ao Senado nas últimas 72 horas de campanha. Monitorado por trackings diários, Bolsonaro alertou seus seguidores para a possibilidade…

RICARDO BRUNO

Um comentário do presidente Jair Bolsonaro, em live na noite de terça-feira, 28, tornou pública a senha de um gigantesco movimento em gestação no meio político fluminense para alavancar a candidatura de André Ceciliano ao Senado nas últimas 72 horas de campanha. Monitorado por trackings diários, Bolsonaro alertou seus seguidores para a possibilidade de  o candidato do PT vencer a disputa diante da fragmentação dos votos no seu campo, entre Romário, Clarissa Garotinho e Daniel Silveira.

Detentor de informações privilegiadas sobre a movimentação das placas tectônicas dos partidos políticos no Rio – capazes de provocar terremoto nas previsões iniciais sobre a disputa – Bolsonaro já detectou a operação de guerra montada por pelo menos seis partidos, alguns de sua própria base, em favor de André Ceciliano.

 Sabe igualmente que a forte polarização com Lula no Rio vai inevitavelmente se reproduzir na disputa ao Senado, como já ocorre entre Cláudio Castro e Marcelo Freixo para o governo. Seria, portanto, natural a ascensão de dois nomes na reta final. De seu lado, o de maior identificação com suas propostas. Do outro, o único apoiado por Lula: André Ceciliano.

O esforço final dos últimos três dias de campanha – quando historicamente se decide o voto para o Senado – prevê a distribuição de  mais de cem milhões de cédulas do candidato do PT em dobradas com cerca de 1000 candidatos proporcionais.

Como condão de impactar o eleitor exatamente no momento em que ele se mostra propenso a definir a escolha, o derrame de farto material eleitoral decorre de ação articulada entre partidos de esquerda – PT,  PV e PCB – e siglas das campanha de Rodrigo Neves – o PSD, especialmente – e de Cláudio Castro, PP e Solidariedade.

Há também um enorme contingente de candidatos de outras siglas da base do atual governador envolvidos nesta operação, dada a proximidade pessoal com o presidente da Assembleia Legislativa.

O operação “Virada”, como já é conhecida a movimentação de reta final nos partidos, baseia-se em fatos objetivos, com comprovação fática, a partir do resultado das últimas eleições para o Senado no Rio.

Em 2006, a pesquisa de véspera apontava Jandira Feghali como virtualmente eleita. Com apoio massivo das estruturas partidárias, Francisco Dornelles sagrou-se surpreendentemente vitorioso.

Em 2010, Lindbergh aparecia também atrás a uma semana da eleição. Cesar Maia e Jorge Picciani eram os favoritos para a segunda vaga. A outra era de Marcelo Crivella.

Em 2018, o fenômeno se repete. Na véspera das urnas, Cesar Maia era o candidato potencialmente vencedor. Ao abri-las constatou-se a virada espetacular, na undécima hora, de Arolde de Oliveira.

Com  causas e motivações diferentes, em todos os casos de reviravolta houve uma surpreendente adesão final da classe política e das estruturas partidárias majoritárias a  uma determinada candidatura. Com base nesta força latente, às vezes não perceptível fora das bolhas partidárias, que se monta uma das mais robustas operações eleitorais para fazer André Ceciliano Senador da República.

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