* Paulo Baía.
Eu conheço bem o clima emocional em comitês de campanha em dia de divulgação de resultados de pesquisas dos principais institutos.
É um clima de apreensão, de expectativas, de medos, o dos comitês eleitorais, no dia da divulgação de uma pesquisa, sobretudo uma pesquisa tão esperada quanto esta Datafolha de primeiro de setembro, após a entrevista no JN, o debate no Consórcio de Comunicação liderado pela Rede Bandeirantes de Televisão e o início da propaganda eleitoral nas rádios e televisões.
O que está acontecendo agora e vai se estender pelos próximos dois, três dias no comitê de Lula da Silva: um toque de depressão, de tristeza. Lula cai de 47%para 45% dos pontos. Não adianta explicar para os militantes que isto não significa absolutamente nada, que está dentro da margem de erro. O militante é torcedor, sempre quer que seu candidato cresça 0,1%.
Da mesma forma está o comitê eleitoral de Jair Bolsonaro com seus excelentes 35%. Não cresceu nem caiu, ficou estacionado, mas é positivo para a campanha, embora na minha avaliação o estacionamento de Jair Bolsonaro é um indício de queda, eu disse indício.
Do outro lado da rua, no comitê de Ciro Gomes, o Datafolha foi recebido com festas, fogos, foguetes, rojões, beijos e abraços, salta de 7% para 9%. Também não adianta explicar para os militantes que não significa nada, está na margem de erro, mas pelo ponto de vista psicossocial é fato de elevado significado. O militante pode bater no peito e gritar a plenos pulmões: Ciro Cresceu, estamos no jogo.
No comitê de Simone Tebet a festa é maior ainda, pois ela saltou de 2% para 5%, crescendo portanto acima da margem de erro, que representa crescimento real de Simone Tebet.
O crescimento de Simone já era esperado após JN, debate na Rede Bandeirantes e propaganda nas rádios e TVs.
Simone foi muito bem e se destacou das demais candidaturas nos últimos 10 dias do final do mês de agosto.
Como Ciro Gomes teria crescimento com sua boa atuação na entrevista do Jornal Nacional, no debate da Rede Bandeirantes e consórcios de comunicação, assim como sua boa presença na propaganda eleitoral.
O desempenho de Simone Tebet no Datafolha faz a festa mais alegre.
Mas os festejos mais estridentes são no comitê eleitoral de Soraya Thronicke, do União Brasil. Teve notável, excelente e oportuno desempenho no debate da Rede Bandeirantes e consórcio de comunicação, tem uma boa propaganda de rádio e televisão e o fato de aparecer com 1% significa muito, para sua campanha é como aparecer com 10% ou 15%. Ela é uma candidata recente, tem duas semanas como candidata a presidente e pontua muito bem com seu 1% de ouro. Pode-se dizer que o 1% de Soraya é os 9% de Ciro Gomes e os 5% de Simone Tebet. Além da presença já marcante na propaganda de rádio e TVs, que é um remake da bem sucedida campanha de Afif Domingues em 1989 pelo imposto único.
Soraya está semelhante aos demais candidatos na presença nas TVs e Rádios, propaganda eleitoral obrigatória, mas sobretudo seu desempenho mercurial no debate da Rede Bandeirantes faz com que o comitê de Soraya tenha esta festa merecida.
Seguimos com uma campanha que está ganhando um novo desenho, um novo lugar que está afastando, por esta pesquisa do Datafolha, a possibilidade de Luiz Inácio Lula da Silva vencer no primeiro turno a eleição. O pleito será definido no segundo turno. Mas ainda, de acordo com o Datafolha, está afastada a possibilidade de “Terceira Via” com Ciro Gomes e/ou Simone Tebet.
Nenhuma das candidaturas coloca em risco, no dia primeiro de setembro 22, o primeiro lugar de Lula da Silva e o segundo lugar de Jair Bolsonaro. A estagnação de Jair Bolsonaro em 35% e a queda de Lula da Silva em 2%,0 de 47% para 45%, dentro da margem de erro, é para que os dois entrem em estado de “Alerta Total” em suas campanhas. Acendam seus alarmes máximos, pois a pista está em “Amarelo Piscante” para os dois.
Ao mesmo tempo, este cenário fotografado pelo Datafolha dará garra às militâncias de Lula/PT, Ciro Gomes/PDT, à militância diversificada do MDB de Simone Tebet.
Digo mais, Simone Tebet é o nome que vai crescer mais ainda, Simone tende a chegar a 10% de citações de votos no dia 15 de setembro 22.
As campanhas eleitorais de Ciro Gomes , Simone Tebet e Soraya Thronicke são campanhas politicamente corretas. Quando uso o termo politicamente corretas, não estou usando o jargão dos identitários, estou dizendo que são campanhas que, pelo ponto de vista do marketing, da comunicação política, estão calibradas, são acertadas, combinam debate político e propostas de gestão e de governo. Não estão, como as de Lula e Bolsonaro, desfocadas nesse sentido, que estão garimpando o emocional da polarização, “quem acabou com a fome e quem voltou com a fome” quem era contra a pandemia e quem era a favor da pandemia, quem defendeu o povo ou quem foi contra o povo, quem é a favor do Estado Democrático de Direto e quem é contra, quem quer didatura e quem quer democracia, estão com discurso genéricos e vazios.
Esse discurso vazio serviu bem e serve ainda para alimentar a polarização Lula x Bolsonaro, até agora. O início da propaganda eleitoral obrigatória e os debates nas TVs, mesmo que Jair Bolsonaro e Lula não compareçam, fortaleceram o crescimento de Ciro Gomes Simone Tebet e Soraya Thronicke.
Os demais candidatos permaneceram em seus patamares, sem poder de competição, entretanto colocam questões importantes a serem incorporadas no debate público. Isso já vem acontecendo com vários candidatos dos 0% ou 1%.
*Sociólogo , cientista político, técnico em estatística e professor da UFRJ






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