As tragédias em boates voltaram ao centro do debate internacional após um incêndio devastador em uma casa noturna na Suíça, no primeiro dia do ano, que deixou ao menos 40 mortos e mais de cem feridos, segundo autoridades locais. O episódio provocou forte reação de sobreviventes e familiares de vítimas de desastres semelhantes, que veem na repetição dos fatos um alerta ignorado ao longo de décadas.
O coletivo Kiss: que não se repita, formado por sobreviventes e amigos das vítimas da tragédia da Boate Kiss, publicou a mensagem “A história se repete”, ao comentar o incêndio ocorrido na boate Le Constellation. Relatos de sobreviventes indicam que uma garçonete teria colocado velas de aniversário sobre garrafas de champanhe e que uma delas foi erguida. “Em questão de segundos, todo o teto estava em chamas. Tudo era de madeira”, disse uma turista francesa à emissora BFMTV. As autoridades suíças ainda não confirmaram oficialmente a causa do incêndio.
Imagens promocionais divulgadas anteriormente mostram o uso de sinalizadores presos a garrafas de bebidas alcoólicas no interior do estabelecimento, o que levantou questionamentos sobre práticas perigosas em ambientes fechados. A polícia acredita que o fogo tenha começado em um andar inferior, mas a investigação segue em andamento.
O caso revive a memória da tragédia da Boate Kiss, ocorrida em 27 de janeiro de 2013, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Na ocasião, 242 pessoas morreram e mais de 600 ficaram feridas após o uso de um artefato pirotécnico durante um show. As chamas se espalharam rapidamente ao atingir o revestimento inflamável do teto. As investigações apontaram excesso de lotação, extintores quebrados e falta de treinamento da equipe.
Outros episódios recentes reforçam o padrão de riscos ignorados. Em março de 2025, a boate Pulse pegou fogo durante um show com cerca de 1,5 mil pessoas, matando 63 frequentadores após faíscas de sinalizadores atingirem o teto. No mesmo ano, um incêndio na boate Birch By Romeo Lane deixou 25 mortos, após a explosão de um cilindro de gás na cozinha.
Também em 2025, o desabamento do teto da boate Jet Set matou 232 pessoas durante um show de merengue, levando à prisão dos proprietários após denúncias de falhas estruturais ignoradas. Casos históricos como o incêndio da Colectiv Club, em 2015, e da República Cromañón, em 2004, mostram que o uso de fogos de artifício, a superlotação e a falta de fiscalização seguem sendo fatores recorrentes.
As tragédias em boates, separadas por países e culturas, compartilham causas semelhantes e reforçam o alerta de sobreviventes e especialistas: sem fiscalização rigorosa e respeito às normas de segurança, a história continua a se repetir, com consequências fatais.






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