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A cada 2 horas, um médico é vítima de violência no Brasil, revela levantamento do CFM

Média diária é de 12 casos de agressão contra médicos em ambientes públicos e privados

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Um levantamento inédito do Conselho Federal de Medicina (CFM) revelou que, em 2024, a cada duas horas um médico foi vítima de algum tipo de violência dentro de estabelecimentos de saúde, seja público ou privado. Com base em 4.562 boletins de ocorrência registrados nas delegacias de Polícia Civil de todo o país, a média diária é de 12 médicos agredidos ou ameaçados no exercício da profissão — o maior índice já registrado na série histórica da entidade.

Os dados, coletados via Lei de Acesso à Informação (LAI) junto às polícias civis dos 27 estados e do Distrito Federal, refletem uma escalada preocupante da violência contra profissionais da medicina em ambiente de trabalho. “Desde 2013, o CFM contabilizou quase 40 mil boletins de ocorrência em que médicos denunciaram algum tipo de abuso sofrido em ambientes de saúde. Há, inclusive, registros de mortes de médicos”, alerta o presidente do CFM, José Hiran Gallo, em comunicado à imprensa.

Interior concentra a maior parte dos casos; mulheres são vítimas em aumento preocupante

O estudo apontou que 66% das ocorrências aconteceram no interior dos estados, enquanto o restante se concentrou nas capitais (sem considerar as regiões metropolitanas). A violência afeta homens em maior número, mas o aumento entre médicas chama atenção. Em 2024, foram registradas 1.757 vítimas do sexo feminino contra 1.819 do sexo masculino — quase um empate.

Em sete unidades da federação — Alagoas, Bahia, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Roraima e Tocantins — as mulheres ultrapassaram os homens em números de agressões. “Em 41% das unidades que informaram os dados por sexo, as médicas foram mais alvo de violência, o que exige atenção específica para o enfrentamento desse fenômeno”, destaca Gallo.

Perfis dos agressores e tipos de violência

A maior parte das agressões foi cometida por pacientes, familiares ou pessoas sem qualquer vínculo formal com os médicos. Casos motivados por ex-namorados ou por razões de ódio e vingança representam uma minoria, assim como episódios de violência cometidos por colegas de trabalho, incluindo enfermeiros, técnicos e outros profissionais da saúde.

Entre as ocorrências, 6% (256 registros) referem-se a crimes praticados via internet, como calúnia, injúria, difamação e ameaças em redes sociais ou aplicativos de mensagem.

Estados mais violentos contra médicos em 2024

São Paulo lidera o ranking, concentrando 26% de todos os registros, com 832 boletins de ocorrência. Destes, quase metade envolveu médicas (514 contra 517 homens). A capital paulista responde por 53% dos casos. O Paraná aparece em segundo lugar com 767 ocorrências, sendo 11% delas concentradas na capital Curitiba. Minas Gerais, terceiro no ranking, registrou 460 casos, com Belo Horizonte respondendo por 15% das denúncias.

Apelo por medidas urgentes de proteção e combate à violência

O presidente do CFM faz um alerta contundente: “O número crescente de casos de violência contra médicos, especialmente em unidades do SUS, é um dado que causa perplexidade e exige ação imediata dos gestores da saúde e da segurança pública em todas as esferas.” Gallo enfatiza a necessidade de “medidas efetivas para prevenir e combater a violência em todas as suas formas, sob pena de responsabilização por negligência”.

Segundo ele, “os profissionais carecem de segurança física dentro das unidades. Não é apenas o patrimônio que precisa de cuidados. A garantia de condições para o exercício da atividade médica, entre elas um espaço seguro, é imprescindível, assim como o direito fundamental dos pacientes ao acesso à saúde, tanto no setor público quanto privado”.

O Conselho Federal de Medicina apoia iniciativas legislativas que aumentem as penas para quem agride médicos durante o exercício da profissão, como o Projeto de Lei nº 6.749/16, já aprovado na Câmara dos Deputados. Além disso, a autarquia articula junto a governadores e Polícias Civis para a criação de delegacias especializadas em crimes contra profissionais da saúde, visando aprimorar o combate à violência.

Sobre a metodologia do levantamento

Foram solicitados dados atualizados de 2024 aos órgãos policiais das 27 unidades da federação, incluindo o número de boletins de ocorrência relacionados a agressões em estabelecimentos de saúde — hospitais, clínicas, consultórios e postos de saúde. Informações como tipo de violência, perfil da vítima (sexo, idade) e local da ocorrência foram analisadas.

Amapá, Paraíba e Rondônia não enviaram dados referentes ao ano de 2024. No caso do Rio de Janeiro, o levantamento inclui somente boletins onde o médico é identificado como vítima, excluindo registros onde a profissão não foi informada. Mato Grosso informou dados mais amplos sobre violência contra profissionais da saúde, a partir dos quais o CFM estimou o número de casos envolvendo médicos.

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