Yuri Moura diz que irá recorrer após condenação no TJ-RJ em ação de Cláudio Castro

Deputado afirma que decisão atinge a independência parlamentar e nega irregularidades nas críticas feitas sobre obras em Petrópolis

O deputado estadual Yuri Moura (Psol) afirmou nesta segunda-feira (23) que irá recorrer da decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro que o condenou por injúria a quatro meses de detenção – pena substituída pelo pagamento de dez salários mínimos – em processo movido pelo governador Cláudio Castro.

A decisão foi tomada por maioria de votos, acompanhando parcialmente o relator, desembargador Cesar Cury. O caso tem origem em declarações feitas por Yuri em 2023, quando, ao lado de famílias atingidas pela tragédia em Petrópolis, criticou uma obra de reconstrução na cidade e fez menções a supostos problemas na gestão estadual.

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Após o julgamento, Moura declarou que pretende contestar a decisão nas instâncias superiores. “Não aceito que o governador suje a minha ficha. Não só eu fui condenado, mas a independência parlamentar, a Democracia e o direito à oposição. Vou recorrer”, afirmou.

O deputado também classificou o processo como uma reação às críticas feitas durante o exercício do mandato. “Se o governador fosse processar todo mundo que indica corrupção em seu governo, teria que processar a imprensa e até órgãos de fiscalização e justiça. É uma perseguição política por fazer oposição e denunciar absurdos”, disse.

Fiscalização das obras

As declarações que motivaram a ação judicial foram feitas durante visita a Petrópolis, em meio a cobranças de moradores afetados pelas chuvas. “Nossa revolta é com as obras mal feitas após tragédias em minha cidade. Obras milionárias, emergenciais, que ainda deixam a população em risco. As chuvas estão aí e o governador, ao invés de consertar a obra, processou quem a fiscalizou por pedido das famílias vítimas”, declarou o parlamentar.

Nas últimas semanas, uma mobilização de apoio ao deputado reuniu parlamentares, integrantes da sociedade civil e o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos. Um manifesto divulgado nas redes sociais reúne milhares de assinaturas em defesa do direito de fiscalização parlamentar e da atuação de oposicionistas.

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