Will Smith visita laboratório brasileiro na Antártica durante gravação de série

Ator esteve no Criosfera 1, referência mundial em estudos do clima, e enfrentou temperaturas extremas no interior do continente

O ator norte-americano Will Smith visitou o laboratório brasileiro Criosfera 1, instalado no interior da Antártica, durante as gravações de uma série documental internacional. O módulo científico é considerado uma referência global em pesquisas sobre a interação entre clima e gelo no continente mais frio do planeta.

A passagem do astro de Hollywood pelo local foi confirmada pelo coordenador do projeto, o geocientista Heitor Evangelista, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), que acompanhou a visita. Segundo ele, Smith passou um dia inteiro no laboratório, localizado em uma das regiões mais inóspitas do planeta, enfrentando frio intenso e ventos fortes.

“Ele é muito gente boa, muito gente fina. Foi divertido, um dia bem legal, bem produtivo. Ele é uma pessoa que deixa as coisas fluírem, sabe como trabalhar, é um cara muito experiente”, afirmou Evangelista em entrevista à CNN Brasil.

Condições extremas no centro da Antártica

O Criosfera 1 fica em uma área de acesso extremamente difícil, a cerca de 600 quilômetros do Polo Sul geográfico. Diferentemente das bases tradicionais, os pesquisadores não permanecem dentro do laboratório, mas acampam ao redor do módulo, em barracas, para garantir a segurança das operações.

“As temperaturas chegam a menos 55 graus, com muito vento. A gente não fica dentro do laboratório; na verdade, ficamos acampados em volta, em uma barraca. As condições são muito extremas”, explicou o coordenador.

Apesar do cenário hostil, Evangelista destacou que a convivência com o ator foi tranquila.

“Foi muito tranquilo, como uma pessoa normal mesmo. Foi bate-papo, e tudo fluiu muito bem”, relatou.

Um laboratório único no mundo

Instalado em 2012, o Criosfera 1 transmite dados em tempo real sobre parâmetros atmosféricos e ambientais considerados estratégicos para a compreensão de fenômenos climáticos globais. As informações ajudam a estudar, por exemplo, o derretimento do gelo polar e a dinâmica das massas de ar que influenciam diretamente o clima no Brasil.

“O Criosfera 1 é o único laboratório que opera de forma automática no centro da Antártica. É o mais avançado do Brasil. A gente se orgulha muito do fato de termos séries temporais coletadas durante mais de uma década, com medidas a cada minuto, em condições tão difíceis”, destacou Evangelista.

O laboratório é considerado o primeiro módulo remoto e autônomo de pesquisas do país, funcionando exclusivamente com energia solar e eólica. Ele está localizado no planalto antártico, a cerca de 2.500 quilômetros da Estação Antártica Comandante Ferraz, principal base brasileira no continente, situada em uma ilha próxima à Península Antártica.

Série leva Will Smith do extremo sul ao extremo norte

A visita ao laboratório brasileiro integra a série documental “De Polo a Polo com Will Smith”, produzida pela National Geographic Channel. A produção acompanha o ator em uma jornada que parte da região mais austral do planeta e segue até o extremo norte, passando por diferentes continentes e explorando temas relacionados à ciência, ao meio ambiente e às mudanças climáticas.

A série estreou no Brasil na última quarta-feira (14) e está disponível na plataforma de streaming Disney+.

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