A eterna disputa entre os ex-aliados Waguinho (Republicanos) e Márcio Canella (União) promete continuar como uma das mais acirradas da política fluminense nas eleições de 2026. Agora, o embate saiu novamente do campo político e chegou à Justiça Eleitoral, após Waguinho, acionar judicialmente Canella por publicações nas redes sociais consideradas ofensivas e antecipação de campanha eleitoral negativa.
O juiz Leonardo Grandmasson Ferreira Chaves, da 238ª Zona Eleitoral do Rio de Janeiro, não analisou o conteúdo das acusações feitas pelas partes, mas decidiu que o processo foi protocolado no órgão errado da Justiça Eleitoral e determinou o envio do caso ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), que passará a analisar a representação.
Na ação, Waguinho acusa Canella, como pré-candidato ao Senado em 2026, de publicar vídeos e postagens no Instagram com conteúdo ofensivo, difamatório e supostamente caracterizado como propaganda eleitoral antecipada negativa.
Segundo a representação, as publicações ultrapassariam os limites da crítica política e teriam como objetivo desgastar a imagem de Waguinho perante os eleitores antes do início oficial da campanha eleitoral.
A defesa de Waguinho sustenta ainda que as postagens divulgariam acusações sem provas concretas e pediu que o caso também fosse encaminhado ao Ministério Público Eleitoral para eventual investigação criminal.
Além disso, a ação solicitava uma decisão urgente para retirada imediata dos conteúdos das redes sociais e proibição de novas publicações semelhantes, sob pena de multa.
Ao analisar o caso, o juiz alegou que a 238ª Zona Eleitoral não possui competência legal para julgar ações relacionadas às eleições gerais de 2026 envolvendo o cargo de senador.
Na prática, o magistrado entendeu que, por se tratar de disputa para cargo federal majoritário, o processo deve ser analisado diretamente pelo TRE-RJ, conforme prevê a legislação eleitoral e resolução interna do tribunal.
Com isso, o juiz determinou o chamado “declínio de competência”, expressão jurídica que significa apenas que o caso foi encaminhado ao órgão correto para julgamento.
Disputa em Belford Roxo segue intensa
O novo embate judicial ocorre em meio ao agravamento da crise política entre Waguinho e Márcio Canella, antigos aliados que hoje protagonizam uma das rivalidades mais fortes da Baixada Fluminense.
Canella foi vice-prefeito de Belford Roxo em 2016 ao lado de Waguinho e, em 2022, acabou eleito deputado estadual como um dos mais votados do Rio de Janeiro com apoio do então aliado político.
O rompimento aconteceu após as eleições de 2024 e transformou antigos parceiros em adversários diretos.
Canella renunciou recentemente à Prefeitura de Belford Roxo para disputar uma vaga ao Senado Federal em 2026. Ele deve integrar a chapa ligada ao governador Cláudio Castro (PL) e ao grupo político bolsonarista no estado.
A movimentação ganhou força após o senador Flávio Bolsonaro desistir da tentativa de reeleição para disputar a Presidência da República, abrindo espaço para reorganização das candidaturas ao Senado no Rio.
Canella também passou a intensificar críticas à gestão anterior de Waguinho, alegando ter herdado problemas administrativos e financeiros na prefeitura.
Do outro lado, Waguinho mantém o projeto político de disputar exatamente o mesmo cargo do ex-aliado nas eleições de 2026.
O Republicanos, partido do ex-prefeito, decidiu não integrar os grupos políticos liderados por Eduardo Paes (PSD) nem pela ala ligada ao PL no estado e afirma que lançará candidaturas próprias ao Senado.
Os nomes defendidos pela legenda são o ex-prefeito do Rio Marcelo Crivella e o próprio Waguinho.
Nos bastidores, Waguinho também reforça a estratégia familiar para 2026. A deputada federal Daniela Carneiro, conhecida como Daniela do Waguinho, deve buscar a reeleição à Câmara dos Deputados, enquanto Leandro do Waguinho é apontado como aposta do grupo para a Assembleia Legislativa do Rio.
Redes sociais viram campo de batalha eleitoral
O caso envolvendo Waguinho e Marcio Labre reflete um movimento que vem crescendo no cenário pré-eleitoral brasileiro: o aumento de ações judiciais relacionadas a publicações em redes sociais.
Na Justiça Eleitoral, críticas políticas são permitidas dentro da liberdade de expressão. No entanto, a legislação prevê punições quando há divulgação de informações sabidamente falsas, ataques pessoais graves ou uso das plataformas digitais para tentar influenciar antecipadamente a disputa eleitoral.
Com a proximidade das eleições de 2026 e duas vagas em disputa para o Senado no Rio de Janeiro, a tendência é de aumento das batalhas políticas e jurídicas entre pré-candidatos nos próximos meses.






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